Mãos de um profissional conferindo notas fiscais impressas sobre a mesa do escritório, representando a revisão da NFS-e com IBS e CBS.

CBS de 11,3% x PIS e Cofins: como simular o impacto na carga dos clientes em 2027

05 nov 2026 • 5 min de leitura
Artigo atualizado 05 nov 2026

O TCU calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS para 2027, acima da estimativa de 9,21% usada até agora. Entenda por que o número não pode ser comparado direto com PIS e Cofins e siga um método em cinco passos, com exemplos para Lucro Presumido e Lucro Real, para simular o impacto na carga dos clientes antes de janeiro.

O Tribunal de Contas da União (TCU) calculou em 11,3% a alíquota de referência da CBS para 2027. O número ficou 2,09 pontos acima da estimativa de 9,21% que vinha sendo usada pelo Ministério da Fazenda.

Para o escritório contábil, a consequência é direta: as simulações de carga feitas ao longo de 2026 precisam ser refeitas antes de janeiro.

Neste artigo, você confere em que pé está a definição da alíquota, por que a comparação com PIS e Cofins não pode ser feita percentual contra percentual e um método em cinco passos para simular o impacto na carteira, com exemplos para Lucro Presumido e Lucro Real.

O que você vai ler neste artigo:

  1. De onde vem a CBS de 11,3%
  2. Por que não dá para comparar 11,3% com 3,65% ou 9,25%
  3. Como simular o impacto em cinco passos
  4. Exemplo 1: prestadora de serviços no Lucro Presumido
  5. Exemplo 2: empresa no Lucro Real
  6. Pontos que mudam o resultado da simulação
  7. O que o escritório deve fazer até dezembro
  8. Como a Jettax ajuda na simulação
  9. Perguntas frequentes

De onde vem a CBS de 11,3%

O TCU aprovou o cálculo em 28 de outubro de 2026. O estudo será enviado ao Senado, que tem até 15 de dezembro de 2026 para fixar a alíquota por resolução.

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) conduz o projeto. Se o Senado não aprovar a resolução no prazo, prevalece o percentual calculado pelo TCU.

Até a votação, 11,3% é a melhor referência disponível, mas não é o número final. Por isso, a simulação do escritório deve ser montada em planilha com a alíquota como variável, para ser atualizada em poucos minutos quando a resolução sair.

Há ainda um detalhe da transição. Em 2027 e 2028, a Lei Complementar nº 214/2025 prevê o IBS em fase de teste, com 0,05% estadual e 0,05% municipal, e reduz a CBS em 0,1 ponto percentual para compensar.

Na soma, CBS e IBS ficam no patamar da alíquota de referência. Para a simulação de 2027, usar 11,3% como carga conjunta é uma aproximação segura.

Por que não dá para comparar 11,3% com 3,65% ou 9,25%

Colocar a CBS ao lado das alíquotas de PIS e Cofins leva a conclusões erradas por três motivos:

  • Cálculo por dentro x por fora. PIS e Cofins estão embutidos no preço. A CBS é calculada sobre o valor da operação sem ela mesma e cobrada por fora, destacada na nota.
  • Regime de créditos. No regime cumulativo do Lucro Presumido (0,65% + 3% = 3,65%), não há crédito. A CBS é não cumulativa para todos os contribuintes do regime regular: o imposto pago nas aquisições tributadas vira crédito.
  • Efeito no cliente do cliente. Um tomador do regime regular aproveita a CBS destacada como crédito. O peso do tributo muda conforme quem compra.

Na prática, a pergunta certa é: quanto o cliente vai pagar de CBS líquida (débitos menos créditos) em comparação com o PIS e a Cofins que paga hoje, mantendo a mesma receita líquida?

Como simular o impacto em cinco passos

  1. Separe a receita líquida. Retire do faturamento atual o PIS e a Cofins embutidos. É sobre esse valor que a CBS será calculada por fora.
  2. Aplique a alíquota de referência. Multiplique a receita líquida por 11,3%, ou pela alíquota reduzida quando o serviço tiver tratamento diferenciado.
  3. Levante os créditos. Some as aquisições que terão CBS destacada: insumos, serviços contratados, aluguel, energia, software. Aplique a alíquota sobre esse total.
  4. Calcule a CBS líquida. Débito menos crédito. Esse é o valor a comparar com o PIS e a Cofins atuais.
  5. Teste a sensibilidade. Refaça o cálculo com a alíquota que o Senado aprovar e com cenários de repasse de preço (integral, parcial ou nenhum).

Exemplo 1: prestadora de serviços no Lucro Presumido

Considere uma empresa que fatura R$ 10.000 por mês e tem R$ 2.000 de aquisições que terão CBS destacada em 2027. O exemplo simplifica a base de cálculo e não considera ISS nem reduções de alíquota.

ItemHoje (PIS/Cofins)2027 (CBS 11,3%)
Faturamento / receita líquidaR$ 10.000,00R$ 9.635,00
Tributo sobre a receitaR$ 365,00R$ 1.088,76
Créditos sobre aquisiçõesNão háR$ 226,00
Valor a recolherR$ 365,00R$ 862,76

A empresa recebe os mesmos R$ 9.635 líquidos, mas o tributo a recolher sobe R$ 497,76 por mês. O cliente final paga R$ 10.723,76 se o repasse for integral. Se o tomador for do regime regular, ele aproveita os R$ 1.088,76 como crédito, e o custo efetivo para ele cai para R$ 9.635.

Esse é o perfil que mais exige conversa com o cliente: prestadoras de serviço com pouca aquisição tributada e clientes pessoas físicas ou optantes do Simples, que não aproveitam crédito.

Veja mais em IBS e CBS: como ficará a apuração para empresas do Lucro Presumido.

Exemplo 2: empresa no Lucro Real

Com o mesmo faturamento e as mesmas aquisições, a empresa do Lucro Real recolhe hoje 9,25% de PIS e Cofins com crédito no regime não cumulativo.

ItemHoje (PIS/Cofins)2027 (CBS 11,3%)
Faturamento / receita líquidaR$ 10.000,00R$ 9.075,00
Tributo sobre a receitaR$ 925,00R$ 1.025,48
Créditos sobre aquisiçõesR$ 185,00R$ 226,00
Valor a recolherR$ 740,00R$ 799,48

A diferença é de R$ 59,48 por mês. Para quem já está no regime não cumulativo, o impacto tende a ser menor e depende mais da composição dos créditos, que na CBS passam a valer para um conjunto mais amplo de aquisições.

Pontos que mudam o resultado da simulação

  • Alíquotas reduzidas. Profissões intelectuais regulamentadas, como contadores, advogados e engenheiros, têm redução de 30%. Com a referência de 11,3%, a alíquota fica perto de 7,9%. Saúde, educação e outros setores têm reduções de 60%.
  • Perfil do tomador. Quem vende para empresas do regime regular repassa crédito. Quem vende para consumidor final ou para optantes do Simples sente mais a carga no preço.
  • Simples Nacional. O optante que manteve IBS e CBS dentro do DAS não segue esse cálculo. Para quem escolheu recolher por fora, a simulação é a mesma do regime regular. Entenda as opções em Reforma Tributária no Simples Nacional.
  • Base do ICMS. Para quem vende mercadorias, Sefaz-SP e Sefa-PR entendem que IBS e CBS integram a base do ICMS a partir de 2027.
  • Fluxo de caixa. O Split Payment muda o momento do recolhimento e deve entrar na conversa com o cliente, mesmo que ainda não afete a simulação de carga de 2027.

O que o escritório deve fazer até dezembro

Priorize os clientes do Lucro Presumido com receita concentrada em serviços, que tendem a ter o maior aumento de carga.

Monte a planilha com a alíquota como variável, levante as aquisições com potencial de crédito e apresente ao cliente os cenários de repasse. A qualidade dos dados de 2026, incluindo os campos de IBS e CBS da NFS-e, define a precisão dessa simulação.

Quando o Senado publicar a resolução, basta atualizar a alíquota e reapresentar os números. O panorama completo das regras está em regulamentação do IBS e CBS.

Como a Jettax ajuda na simulação

A simulação depende de dados confiáveis de faturamento e de aquisições de cada cliente.

A Jettax captura automaticamente NF-e, NFS-e, CT-e e NFC-e, com campos estruturados para IBS e CBS, e o Módulo Federal organiza as apurações federais.

Com os documentos centralizados, o escritório monta as bases da simulação sem caçar nota por nota. Faça um teste gratuito e conheça a plataforma.

Perguntas frequentes