Pessoa utilizando uma calculadora enquanto analisa relatórios financeiros sobre a mesa, com notebook aberto ao fundo.

Reoneração de PIS/COFINS em 2026: quais setores foram impactados e o que muda na prática 

16 jun 2026 3 min de leitura
Artigo atualizado 16 jun 2026

A reoneração do PIS/Cofins em 2026 marca uma nova etapa da política tributária brasileira e reacende o debate sobre aumento de custos para empresas e consumidores.  

A medida retoma, total ou parcialmente, a cobrança de tributos que haviam sido reduzidos nos últimos anos, especialmente em setores estratégicos da economia. 

Abaixo, explicamos o que mudou com as novas leis, quais setores sentem o impacto imediatamente e como as empresas devem se preparar para essa nova realidade de maneira simples e descomplicada. 

O que é a reoneração de PIS/Cofins? 

O PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) são contribuições federais cobradas sobre a receita das empresas e destinadas ao financiamento de áreas como: 

  • Seguridade social. 
  • Saúde. 
  • E previdência. 

Nos últimos anos, para incentivar a economia, o governo criou a chamada “alíquota zero” (ou seja, imposto zerado) ou ofereceu créditos presumidos (descontos no imposto devido) para produtos e setores específicos. 

A grande virada de chave ocorre por força da Lei Complementar nº 224, regulamentada pela Receita Federal.  

Desde 1º de abril de 2026, o governo adotou um sistema de corte linear de 10% nesses benefícios fiscais.  

Significa que o imposto não voltou a ser cobrado integralmente de uma vez só, mas as empresas perderam uma parte do desconto que tinham e passaram a recolher uma parcela do tributo padrão. 

Quais setores foram impactados e o que muda? 

A medida atinge empresas enquadradas tanto no regime de Lucro Presumido (onde o imposto é calculado com base em uma estimativa de lucro) quanto no Lucro Real (calculado sobre o lucro exato). Veja os principais grupos afetados: 

1. Agronegócio (Insumos e Fertilizantes) 

Antes, muitos produtos usados na produção agrícola tinham alíquota zero para reduzir o custo dos alimentos. Com a nova regra, fertilizantes, adubos, defensivos agrícolas e produtos químicos começaram a sofrer a cobrança de PIS/COFINS. Embora o percentual pareça baixo à primeira vista, ele impacta toda a cadeia de produção e pode refletir no preço final dos alimentos. 

2. Setor de Medicamentos e Itens de Saúde 

Remédios, artigos ortopédicos e próteses que contavam com isenções ou alíquotas zeradas também entraram na regra de corte de 10% do benefício. O impacto é direto no caixa de laboratórios, distribuidoras e farmácias. 

3. Combustíveis e Etanol 

O setor de combustíveis e derivados de petróleo, que historicamente vive alterações de alíquotas para controle de inflação, também se enquadra nos novos cálculos de transição fiscal estabelecidos pelos decretos federais recentes. 

Como funciona o cálculo na prática? 

Não houve uma mudança nos códigos das notas fiscais, mas sim na forma de apurar o imposto no fim do mês. 

  • Para quem tinha alíquota zero: a empresa deve calcular 10% da alíquota padrão do seu regime e recolher essa diferença. Por exemplo, no regime não cumulativo (onde a alíquota padrão somada é de 9,25%), a cobrança inicial fica em torno de 0,925%. 
  • Para quem usava créditos fiscais: o aproveitamento desses créditos passou a ser limitado a 90% do valor original. Os 10% restantes são cancelados e não podem ser usados para abater impostos. 

Essa mudança exige atenção redobrada dos times de contabilidade para evitar erros na entrega da EFD-Contribuições, a declaração digital no qual esses valores são informados ao governo. 

Como as empresas devem se adaptar? 

O planejamento financeiro e tributário virou peça-chave para a sobrevivência do fluxo de caixa. As principais recomendações para os negócios são: 

  • Revisar a formação de preços: como o custo tributário aumentou, as empresas precisam avaliar se absorvem essa perda na margem de lucro ou se repassam parte dela para o preço final ao consumidor. 
  • Atualizar os sistemas de gestão: é fundamental garantir que os sistemas de emissão de notas fiscais e escrituração contábil estejam parametrizados com as novas regras de acréscimo e limitação de crédito. 
  • Acompanhar os canais oficiais: a Receita Federal disponibiliza orientações específicas e canais de atendimento direto para solucionar dúvidas dos contribuintes sobre as exceções da lei. 

A reoneração de PIS/COFINS marca um ano de forte ajuste fiscal. Estar bem-informado e contar com o apoio de uma contabilidade estratégica são os melhores caminhos para atravessar essa transição sem surpresas negativas. 

FAQ — Reoneração de PIS/COFINS em 2026 

O que significa a reoneração do PIS/Cofins? 

A reoneração do PIS/Cofins é a retomada total ou parcial da cobrança dessas contribuições federais após períodos de redução ou alíquota zero. Na prática, isso aumenta a carga tributária de determinados setores. 

Quais setores foram mais impactados pela reoneração em 2026? 

Os principais impactos ocorreram em setores ligados a combustíveis, transporte e logística, além de atividades que dependem diretamente do custo operacional desses segmentos. 

A reoneração afeta o preço dos produtos e serviços? 

Sim. Como o aumento tributário pode elevar os custos das empresas, parte desse impacto pode ser repassada ao consumidor final por meio do aumento de preços. 

Qual é a diferença entre desoneração e reoneração? 

A desoneração reduz ou elimina temporariamente tributos para estimular determinados setores da economia. Já a reoneração restabelece essa cobrança, total ou parcialmente. 

Empresas precisam mudar o planejamento tributário com a reoneração? 

Em muitos casos, sim. A retomada da cobrança de PIS/Cofins pode alterar custos, fluxo de caixa, formação de preços e estratégias fiscais das empresas. 

A reoneração do PIS/Cofins vale para todas as empresas? 

Não necessariamente. O impacto depende do setor econômico, do regime tributário da empresa e das regras específicas definidas pelo governo para cada atividade.