Lucro Presumido na UTI? PLP 182/2025 eleva IRPJ/CSLL em 10%

O debate sobre o aumento de carga do Lucro Presumido ganhou intensidade com o PLP 182/2025, que propõe elevar em 10% a base de cálculo do IRPJ e da CSLL.

Isso acende um sinal amarelo para empresas que dependem desse regime pela previsibilidade e pela simplicidade operacional.

Esse aumento pode parecer “pequeno”, mas atinge diretamente as margens das empresas.

E quando a margem aperta, o primeiro olhar crítico recai sobre a contabilidade.

Você, contador, já percebeu como seus clientes reagem quando o tema envolve aumento de imposto?

Eles buscam respostas claras, simulações rápidas e um plano de ação que evite sustos fiscais.

O Lucro Presumido funciona com percentuais fixos aplicados sobre a receita bruta.

Esses percentuais variam por atividade, o que torna o regime simples — mas também sensível a qualquer alteração. Por exemplo:

Quando a base aumenta, o imposto salta junto.

E para muitos negócios, esse salto pode ser decisivo para repensar estrutura, preços e até o regime tributário.

Você já mapeou qual percentual do seu portfólio está no Lucro Presumido?

E quantos desses clientes estão acima do limite em que o PLP começaria a impactar?

No próximo bloco, vamos destrinchar o que o projeto realmente muda e por que isso importa para você, que é contador.

O que o PLP 182/2025 muda no Lucro Presumido

O PLP 182/2025 busca elevar a carga tributária sobre o Lucro Presumido por meio de um acréscimo de 10% na base de cálculo.

Essa mudança atingiria empresas com faturamento anual acima de R$ 1,2 milhão.

Isso não altera as alíquotas de IRPJ e CSLL.
O que muda é a base — e, tecnicamente, isso costuma ser mais impactante.

Para comércio e indústria, a presunção subiria de 8% para 8,8%.
Para serviços, de 32% para aproximadamente 35,2%.

Esse aumento pressiona principalmente setores de serviços, que já possuem presunção elevada.

Ou seja: 

  • consultorias, 
  • TI, 
  • saúde,
  • educação, 
  • publicidade, 
  • engenharia e afins.

O governo argumenta que renúncias precisam ser reduzidas para equilibrar o orçamento.

Para o contador, isso significa estar atento às mudanças, revisar cenários e comunicar impactos com antecedência.

Afinal, o cliente precisa entender que o que mudará não é um detalhe técnico — é o bolso.

Pergunta para você: seus clientes entendem a diferença entre “aumentar a alíquota” e “aumentar a base”?

Você já preparou uma explicação simples para eles?

No bloco a seguir, vamos contextualizar o motivo dessa mudança e como ela se encaixa no cenário fiscal atual.

Por que mexer no Lucro Presumido agora?

O Lucro Presumido sempre foi visto como um regime simplificado.

Mas, para o governo, também se tornou um regime que pode abrigar distorções fiscais.

A justificativa do PLP 182/2025 se apoia no custo das renúncias tributárias.

O governo afirma que elas excedem o limite planejado e precisam ser reduzidas.

A ideia é “corrigir a disparidade” entre empresas no Lucro Real e no Lucro Presumido.

Especialmente em setores de alta rentabilidade e baixa complexidade operacional.

Você concorda com essa visão? Ou acredita que o Lucro Presumido não deve ser tratado como benefício, mas como simplificação necessária?

O fato é que a mudança faz parte de um movimento maior de reforma e reorganização fiscal.

E sempre que esse movimento ocorre, regimes simplificados são os primeiros a serem revisados.

Para muitos clientes, o Lucro Presumido passou anos sendo “custo fixo previsível”.

Agora, o aumento proposto coloca esse conforto em xeque.

Vamos agora traduzir tudo isso em impactos concretos no dia a dia da sua contabilidade.

Impactos práticos do PLP no trabalho contábil

Com o aumento da base, o primeiro impacto é na simulação tributária. Contadores precisarão recalcular os cenários para todos os clientes afetados.

Isso exige revisar contratos, verificar margens e reavaliar o fluxo de caixa. Clientes com margens apertadas sentirão o impacto imediatamente.

Outro ponto é a revisão de preços. Se o custo tributário sobe, a empresa terá que decidir se repassa ou absorve.

A migração para o Lucro Real também entra em pauta. Para empresas com despesas altas e margens baixas, pode fazer mais sentido.

Mas essa migração envolve mais controles, mais documentos e mais governança. Você está preparado para orientar seu cliente sobre esse salto?

Outro impacto está na comunicação contábil. Será necessário traduzir, com clareza, termos técnicos para uma linguagem acessível.

Também haverá necessidade de reforçar provisões. E preparar clientes para fiscalizações que podem se intensificar.

O Lucro Presumido pode não estar “morrendo”, mas está em observação.
E você é quem monitora os sinais vitais do paciente.

Você está pronto para assumir esse papel de “médico tributário”? Porque o momento exige análise, previsibilidade e liderança contábil.

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