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O que muda no Lucro Presumido com a Reforma Tributária  

26 maio 2026 4 min de leitura
Artigo atualizado 26 maio 2026

A Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/2023 – LC nº 214/2025 e LC nº 227/2026) representa uma ruptura no modelo fiscal brasileiro.  

A promessa é clara: simplificação no longo prazo. Mas no curto e médio prazo, o cenário é outro: mais complexidade, necessidade de controle; e mais risco operacional. 

Para empresas e escritórios contábeis que atuam com Lucro Presumido, o impacto será profundo — e imediato. 

Um dos erros mais perigosos neste momento é acreditar que a reforma afeta apenas grandes empresas do lucro real.  

Na prática, o lucro presumido — especialmente no setor de serviços — está no centro das mudanças. E aqui está o ponto-chave: 

  • Quem começar a se preparar agora ganha previsibilidade reduz risco e se posiciona como estratégico para o cliente. 

Como fica o Lucro Presumido a Reforma Tributária?  

O lucro presumido permanece para IRPJ e CSLL (observada às mudanças promovidas pela Lei Complementar nº 224/2025). Mas sua base histórica muda completamente. Hoje, o regime combina: 

  • Simplicidade; 
  • Cumulatividade (PIS/COFINS); 
  • Baixa exigência de controle. 

Com a reforma, esse equilíbrio se rompe. 

O que muda com CBS e IBS no Lucro Presumido 

A substituição é direta: 

  • PIS/COFINS → CBS; 
  • ISS/ICMS → IBS. 

Resultado: o Lucro Presumido passa a operar dentro de uma lógica de IVA. 

Fim da cumulatividade e complexidade tributária 

Esse é o ponto mais crítico. 

Antes: 

  • PIS/COFINS cumulativos; 
  • Sem direito a crédito. 

Depois: 

  • CBS e IBS não cumulativos; 
  • Direito amplo a créditos. 

O que isso muda? 

  • Exige controle detalhado de insumos; 
  • Torna a gestão tributária mais complexa; 
  • Elimina a simplicidade como diferencial competitivo. 

Alíquota isolada pode gerar interpretações erradas 

A alíquota padrão estimada (IBS + CBS) gira entre 26,5% e 28%. Mas esse número isolado engana. O que realmente importa é: 

  • Capacidade de geração de crédito; 
  • Estrutura de custo da empresa; 
  • Posição na cadeia. 

Sem isso, o impacto pode ser mal interpretado e o planejamento ficar errado. 

Como a Reforma afeta empresas de serviços 

Se existe um grupo que precisa de atenção máxima, é o setor de serviços. 

Situação atual: 

  • 3,65% (PIS/COFINS); 
  • 2% a 5% (ISS). 

Cenário com a Reforma: 

CBS + IBS podem chegar a 28%. E aqui está o problema: 

Serviço tem: 

  • Pouca cadeia de insumos; 
  • Forte dependência de mão de obra (folha de pagamento não gera crédito); 
  • Baixa geração de créditos. 

Resultado:  

  • Aumento potencial de carga;  
  • Redução de margem; 
  • Pressão sobre os preços. 

Split payment: mudança estrutural no fluxo de caixa 

split payment é um dos pontos mais disruptivos: 

  • O tributo é recolhido no momento da liquidação da operação. E não mais no fechamento mensal 

Impacto direto: 

  • Necessidade de conciliação quase em tempo real; 
  • Impacto imediato no caixa; 
  • Maior rigor na apuração. 

Isso muda completamente a rotina fiscal. 

Como a Reforma pode impactar a competitividade entre as empresas  

Outro ponto que poucos estão considerando: empresas podem começar a escolher fornecedores com base em crédito fiscal. Isso pode impactar diretamente: 

  • Empresas do Simples; 
  • Prestadores de serviços; 
  • Cadeia de fornecimento. 

Ou seja: o impacto não é só tributário: é comercial. 

Principais erros que escritórios ainda estão cometendo 

A. Tratar a Reforma como algo distante: a fase de testes já começou e as obrigações acessórias já estão mudando. 

B. Ignorar a convivência dos sistemas: entre 2026 e 2032, modelo antigo e novo coexistem. 

Erro aqui = bitributação ou autuação. 

C. Manter processos manuais: planilhas não suportam split payment. controle de crédito e validação fiscal complexa. 

D. Não revisar cadeia de fornecedores: a decisão de compra pode passar a depender do crédito gerado. 

E. Não simular cenários tributários: continuar no Lucro Presumido pode deixar de ser a melhor escolha. 

O que fazer para ganhar eficiência e reduzir riscos 

1. Auditoria de cadastros fiscais 

  1. Revisar NCM, NBS e classificação; 
  1. Garantir consistência de dados; 
  1. Base correta = crédito correto. 

2. Revisão do planejamento tributário 

Comparar: 

  • Lucro Presumido X Lucro Real; 
  • Impacto por tipo de atividade. 

3. Preparação para o controle de créditos 

Mapear: 

  1. Insumos; 
  1. Serviços tomados; 
  1. Fornecedores. 

4. Revisão de contratos 

Incluir: 

  1. Cláusulas de repasse de tributo; 
  1. Ajuste de preços. 

5. Automação da rotina fiscal 

Com a Reforma, a operação passa a exigir: 

  1. Dados centralizados; 
  1. Validação automática; 
  1. Rastreabilidade; 
  1. Previsibilidade. 

Isso não é possível com processos manuais. 

Linha do tempo: o que muda na prática 

Período O que acontece Impacto 
2026 CBS (0,9%) e IBS (0,1%) em teste Ajuste de sistemas e processos 
2027 Fim de PIS/COFINS Apuração muda de forma definitiva 
2029–2032 Transição de ICMS/ISS para IBS Pico de complexidade operacional 
2033 Sistema completo Estabilização 

Como a Reforma Tributária muda o papel do contador 

A Reforma muda não só os tributos — mas o posicionamento do contador. Sai: 

  1. Executor operacional; 
  1. Gerador de guias. 

Entra:  

  1. Analista de dados fiscais 
  1. Gestor de risco tributário 
  1. Parceiro estratégico do cliente 

Tecnologia deixa de ser diferencial e vira requisito 

Reforma Tributária não elimina o Lucro Presumido, mas elimina a simplicidade que sustentava o modelo. O novo cenário exige: 

  1. Controle; 
  1. Análise; 
  1. Previsibilidade; 
  1. Eficiência operacional; 

E isso só é possível com tecnologia. 

Como sua empresa ou escritório pode se preparar 

Uma solução fiscal adequada permite: 

  • Garantir conformidade com as novas regras; 
  • Acompanhar créditos em tempo real; 
  • Prever impacto tributário antes do fechamento. 

Resultado: 

  • Menos erro 
  • Mais produtividade 
  • Maior segurança fiscal 

A Reforma Tributária não é apenas uma mudança legal. Ela é uma mudança de mentalidade. 

E, para quem atua com Lucro Presumido, o momento de agir não é 2027: é agora. 

Dúvidas frequentes sobre Reforma Tributária e Lucro Presumido

O Lucro Presumido vai acabar com a Reforma Tributária?

Não. O regime continua existindo para IRPJ e CSLL.

O que muda no PIS e Cofins?

Eles serão substituídos pela CBS dentro do novo modelo de IVA Dual.

Por que empresas de serviços podem ser mais impactadas?

Porque normalmente possuem baixa geração de créditos tributários.

O que é split payment?

É o recolhimento automático do tributo no momento da liquidação financeira.

Vale continuar no Lucro Presumido?

Depende da estrutura de custos, geração de créditos e atividade da empresa.