ITCMD 2026: o que muda na prática para heranças e doações

19 mar 2026 5 min de leitura
Artigo atualizado 06 maio 2026

O ITCMD 2026 ganhou ainda mais relevância no debate tributário porque as mudanças trazidas pela Reforma Tributária começam a produzir efeitos práticos sobre heranças e doações. 

Isso porque a Emenda Constitucional nº 132 de 2023 trouxe alterações relevantes nas regras do ITCMD, impactando diretamente o planejamento patrimonial e sucessório. 

A partir de 2026, várias dessas alterações passam a produzir efeitos práticos. Vamos conferir o que muda? Acompanhe. 

O ITCMD em 2026 passa a refletir efeitos práticos da Reforma Tributária, com destaque para alíquotas progressivas obrigatórias, novas definições sobre competência estadual, possibilidade de incidência em casos com bens no exterior e base de cálculo mais próxima do valor de mercado. 

O que é o ITCMD? 

O ITCMD é o imposto estadual cobrado sobre heranças e doações, ou seja, sobre a transferência gratuita de bens e direitos, como imóveis, dinheiro, participações societárias e outros ativos. 

Ele incide em duas situações principais: 

  1. Herança: quando ocorre a transferência de patrimônio após o falecimento do titular. 
  1. Doação: quando há transferência gratuita de bens entre pessoas vivas. 

Esse imposto é de competência estadual, conforme previsto no artigo 155 da Constituição Federal.  

Isso significa que cada estado define suas regras específicas, respeitando limites estabelecidos pela legislação nacional.  

Como o ITCMD funcionava antes da Reforma Tributária 

Antes das mudanças mais recentes, o ITCMD possuía regras bastante diferentes entre os estados. Alguns pontos caracterizavam o modelo anterior: 

1. Alíquotas diferentes entre estados 

Cada estado definia sua própria alíquota, respeitando o limite máximo estabelecido pelo Senado Federal. 

Esse teto nacional é atualmente de 8%, conforme resolução do Senado.  Na prática: 

  • São Paulo aplicava 4% fixos. 
  • Minas Gerais utilizava 5%. 
  • Outros estados tinham variações entre 2% e 8%. 

2. Ausência de progressividade obrigatória 

Outro ponto importante: muitos estados utilizavam alíquotas fixas, ou seja, o percentual era o mesmo independentemente do valor da herança ou da doação. 

Isso significava que um patrimônio pequeno poderia pagar a mesma alíquota que um patrimônio muito maior. 

Esse modelo passou a ser questionado por especialistas e legisladores, especialmente por questões de justiça tributária. 

O que muda no ITCMD em 2026 na prática 

Com a Reforma Tributária aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023, o ITCMD passou por mudanças estruturais. As principais mudanças do ITCMD em 2026 envolvem: 

  1. .Obrigatoriedade de alíquotas progressivas. 
  1. Definição mais clara da competência entre os estados. 
  1. Possibilidade de incidência em situações que envolvam bens no exterior, conforme regulamentação. 
  1. Ajustes na base de cálculo dos bens transmitidos. 

Vamos entender cada ponto. 

A. Alíquotas progressivas passam a ser obrigatórias 

A mudança mais importante é a obrigatoriedade de progressividade nas alíquotas do ITCMD. Antes, os estados podiam escolher entre alíquota fixa ou progressiva. 

Agora, todos os estados e o Distrito Federal devem adotar um modelo progressivo. Na prática, isso significa que, quanto maior o valor da herança ou da doação, maior tende a ser a alíquota aplicada. 

  • Quanto maior o valor da herança ou da doação. 
  • Maior será a alíquota aplicada. 

Exemplo hipotético de progressividade do ITCMD: 

 Até R$ 500 mil  Alíquota menor 
 De R$ 500 mil a R$ 2 milhões  Alíquota intermediária 
 Acima de R$ 2 milhões  Alíquota maior 

Mesmo com essa mudança, o limite máximo de 8% continua sendo o teto nacional, definido pelo Senado Federal.  

B. Impacto maior para patrimônios elevados 

A progressividade tende a afetar principalmente patrimônios maiores.  

Antes da Reforma: 

  • Uma herança de R$ 500 mil e outra de R$ 5 milhões poderiam estar sujeitas à mesma alíquota, a depender das regras adotadas por cada estado. 

Com o novo modelo, patrimônios mais elevados tendem a ser tributados com alíquotas maiores, o que aumenta o impacto do imposto sobre transmissões de maior valor e reforça a lógica de progressividade na cobrança do ITCMD. 

Essa mudança busca tornar o sistema tributário mais progressivo e alinhado com práticas adotadas em outros países. 

C. Mudanças na competência para cobrança do imposto 

A Reforma também trouxe maior clareza sobre qual estado tem competência para cobrar o ITCMD. De forma geral: 

  • Bens imóveis: o imposto continua sendo devido ao estado onde o imóvel está localizado. 
  • Bens móveis e direitos: o imposto é devido ao estado do domicílio do falecido ou do doador. 

Importante: essas regras ajudam a reduzir conflitos entre estados na cobrança do imposto. 

D. Cobrança em casos de bens no exterior 

Outro ponto importante envolve heranças ou doações com bens no exterior.   

  • Antes da reforma, existia grande debate jurídico sobre quem poderia cobrar o imposto nesses casos. 

Com a Reforma Tributária, ganhou força a possibilidade de incidência do ITCMD em situações que envolvam bens no exterior ou doador/falecido residente fora do país, observada a regulamentação aplicável. 

E. Base de cálculo mais alinhada ao valor de mercado 

Outro ponto discutido na reforma é a forma de avaliação dos bens. 

Com as mudanças, a base de cálculo do ITCMD tende a se aproximar mais do valor de mercado dos bens transmitidos, o que pode elevar o imposto devido em operações de doação e sucessão patrimonial. 

  • Isso ocorre porque valores de mercado normalmente são maiores que valores fiscais utilizados anteriormente. 

Como as mudanças impactam o planejamento sucessório 

Com as mudanças do ITCMD em 2026, o planejamento patrimonial e sucessório passa a exigir análise antecipada de doações, avaliação correta de ativos e acompanhamento da legislação estadual.  

Algumas estratégias podem ser avaliadas conforme o caso: 

  • Antecipação de doações: algumas famílias avaliam realizar doações em vida antes da implementação de novas alíquotas estaduais. Isso pode reduzir o impacto tributário dependendo das regras locais. 

A estruturação patrimonial pode incluir medidas como: 

  1. Constituição de holdings familiares. 
  1. Planejamento sucessório. 
  1. Reorganização societária. 

Acompanhamento da legislação estadual 

Mesmo com diretrizes nacionais, o ITCMD continua sendo um imposto estadual. Isso significa que cada estado ainda precisa: 

  1. Aprovar leis próprias. 
  1. Definir faixas progressivas. 
  1. Estabelecer regras operacionais. 

Por isso, contadores e contribuintes devem acompanhar de perto a legislação do seu estado, já que as faixas, regras operacionais e critérios de cobrança do ITCMD continuam dependendo de normas estaduais. 

O que contadores devem observar  

As mudanças no ITCMD exigem atenção de profissionais que atuam com: 

  • Planejamento tributário. 
  • Contabilidade patrimonial. 
  • Sucessão familiar. 

Entre os pontos de atenção estão: 

  • Análise das novas faixas de tributação. 
  • Avaliação correta de bens. 
  • Organização documental para inventários. 
  • Monitoramento de alterações legislativas estaduais. 

Com as novas regras, o imposto sobre heranças e doações tende a ganhar maior relevância no planejamento financeiro das famílias brasileiras. 

Esteja atento às mudanças atuais e futuras 

Por fim, as mudanças no ITCMD exigem atenção redobrada na consultoria tributária, patrimonial e sucessória.  

Compreender as novas diretrizes e acompanhar a regulamentação estadual será essencial para orientar clientes com mais segurança em 2026. 

  • Obrigatoriedade de alíquotas progressivas 
  • Maior clareza na competência de cobrança entre estados 
  • Possibilidade de incidência em casos que envolvam bens no exterior, conforme regulamentação. 
  • Base de cálculo mais alinhada ao valor de mercado. 

Em resumo, apesar dessas mudanças: 

  • O imposto continua sendo de competência estadual, o que significa que cada estado ainda terá autonomia para definir detalhes da cobrança. 
  • O cenário reforça a importância de acompanhar a legislação e planejar com antecedência a sucessão patrimonial. 

Diante desse cenário, acompanhar a legislação estadual e revisar estratégias patrimoniais com antecedência será fundamental para reduzir riscos tributários e oferecer uma consultoria mais segura aos clientes. 

FAQ ITCMD 2026 

1) O ITCMD mudou em 2026? 
Sim. Em 2026, passam a produzir efeitos práticos mudanças relevantes trazidas pela Reforma Tributária, especialmente em relação à progressividade das alíquotas, à competência de cobrança e à base de cálculo. 

2) O ITCMD continua sendo um imposto estadual? 
Sim. O ITCMD continua sendo de competência estadual, embora a Constituição tenha definido novas diretrizes gerais para sua cobrança. 

3) O ITCMD pode incidir sobre bens no exterior? 
A Reforma Tributária reforçou a possibilidade de incidência em situações que envolvam bens no exterior, observada a regulamentação aplicável. 

4) O que contadores devem observar com o ITCMD em 2026? 
Contadores devem acompanhar a legislação estadual, revisar faixas de tributação, avaliar corretamente os bens transmitidos e orientar clientes em planejamento patrimonial e sucessório.