Mudanças na tabela do Imposto de Renda sempre impactam a rotina contábil.
O Projeto de Lei 1087/25, que trata da isenção do IR para rendimentos de até R$ 5.000 e redução gradual para valores até R$ 7.350, deve entrar em vigor em 2026.
Para escritórios de contabilidade, isso significa revisar cálculos, retenções e planejamentos.
Para o contador, a alteração exige atenção em retenção na fonte, na folha de pagamento e na orientação de clientes pessoa física sobre o aumento do salário líquido.
Além disso, será necessário acompanhar a tributação mínima de 10% sobre lucros e dividendos, prevista para compensar a perda de arrecadação.
Cabe ao contador traduzir a legislação em números concretos e estratégias práticas, garantindo que os clientes entendam e se beneficiem da isenção do IR sem problemas futuros.
Cenário legislativo da Isenção do IR
O PL 1087/25 já foi aprovado em comissão especial da Câmara e segue para votação em Plenário, sendo prioridade para 2025.
A medida prevê isenção do IR para rendimentos de até R$ 5 mil e desconto progressivo para salários de até R$ 7.350, alterando diretamente os cálculos de retenção na fonte.
Para compensar a renúncia fiscal estimada em R$ 25 bilhões, está prevista a tributação mínima de 10% sobre lucros e dividendos.
Na prática, contadores precisarão ajustar sistemas, revisar planilhas e orientar empresas sobre os novos parâmetros de retenção, garantindo a correta aplicação da isenção do IR e evitando autuações.
Quem se beneficia da Isenção do IR e como muda a rotina
Atualmente, apenas quem recebe até cerca de R$ 3.036 está isento.
O novo limite praticamente dobra essa faixa. Para trabalhadores com até R$ 5 mil, o salário líquido aumentará, já que não haverá desconto de IR na fonte.
Para quem ganha entre R$ 5.001 e R$ 7.350, haverá dedução automática, com redução proporcional do imposto.
Isso exigirá mais atenção aos cálculos de progressividade.
A estimativa é que 30 milhões de contribuintes sejam beneficiados, incluindo empregados, autônomos e profissionais liberais.
Para os contadores, o desafio será simular cenários, mostrar aos clientes os ganhos líquidos e ajustar planejamentos conforme o perfil de cada um.
Tramitação do PL e próximos passos para contadores
Desde março de 2025, o projeto passou por ajustes e substitutivos, mas manteve o objetivo de ampliar a isenção do IR e criar tributação sobre dividendos.
Atualmente, aguarda votação em Plenário, com expectativa de aprovação ainda em 2025 e vigência em janeiro de 2026.
Para contadores, acompanhar cada fase é essencial. Alterações de última hora podem afetar sistemas e cálculos.
O ideal é preparar a equipe, atualizar softwares e revisar ERPs antes do novo ano-calendário, garantindo que a isenção do IR seja aplicada corretamente.
Impactos práticos da Isenção do IR na rotina contábil
A aprovação trará efeitos imediatos na folha de pagamento, retenções e planejamento tributário.
Um ponto crítico é a atualização de sistemas.
Escritórios que usam softwares de folha com tabelas pré-configuradas precisarão garantir que a isenção do IR seja refletida corretamente, evitando recolhimentos indevidos.
Também haverá demanda consultiva.
Clientes pessoa física buscarão entender o aumento do salário líquido, enquanto empresários precisarão compreender os efeitos da tributação mínima sobre dividendos.
Contadores terão oportunidade de fortalecer a atuação estratégica, oferecendo orientação clara e prática.
Além disso, será necessário alinhar o RH das empresas para aplicar a isenção do IR corretamente, prevenindo riscos fiscais ou trabalhistas.
Oportunidades e responsabilidades para contadores
Mudanças como a isenção do IR apresentam desafios e oportunidades.
O desafio é se atualizar, revisar rotinas e evitar falhas em cálculos e recolhimentos.
A oportunidade está em ampliar a atuação consultiva, auxiliando clientes a tomarem decisões estratégicas.
Com a faixa ampliada, contribuintes podem reorganizar rendimentos ou repensar a declaração, e o contador será essencial nesse processo.
A tributação de dividendos também requer planejamento societário, com espaço para o contador propor alternativas legais que garantam segurança e eficiência.
Em resumo, não se trata apenas de um benefício para contribuintes, mas de um momento de fortalecimento da classe contábil, que traduz legislação em prática e gera confiança para clientes.