Como bem sabemos, a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF, exercício 2026, relativa ao ano-calendário 2025), será divulgada em breve – na segunda quinzena de março.
Todos os anos, milhões de contribuintes precisam informar rendimentos, despesas, bens e direitos à Receita Federal.
Mesmo assim, muitos contribuintes ainda enfrentam um problema comum: cair na malha fina.
Na maioria dos casos, isso está relacionado a inconsistências no preenchimento da declaração, ausência de documentação comprobatória ou divergências entre os dados informados e as bases da Receita Federal.
O Fisco utiliza sistemas cada vez mais sofisticados para cruzar dados automaticamente com bancos, empresas e instituições financeiras.
Neste conteúdo, contador, você verá como se organizar para a declaração do IR e reduzir o risco de retenção em malha fiscal.
Afinal, o que é a malha fina?
A chamada malha fina é o processo de análise realizado pela Receita Federal para identificar inconsistências nas declarações do Imposto de Renda.
Depois que o contribuinte envia a declaração, os dados informados são comparados com diversas bases de dados, como:
- Informes de rendimentos enviados por empresas.
- Informações bancárias.
- Dados de planos de saúde.
- Informações de previdência privada.
- Declarações enviadas por outras pessoas ou empresas.
Vale ressaltar que, se houver divergências, a declaração pode ser retida para verificação. Isso não significa automaticamente fraude ou penalidade.
Em muitos casos, trata-se apenas de erro de preenchimento ou falta de comprovação documental.
Quantas declarações caem na malha fina?
Todos os anos, milhões de contribuintes são impactados. Em 2025, por exemplo:
- 43,3 milhões de declarações foram enviadas à Receita Federal até o fim do prazo.
- Aproximadamente 3,9 milhões ficaram retidas na malha fiscal.
- Mais de 60% das declarações retidas já haviam sido liberadas por autorregularização, e mais de dois terços foram corrigidas pelos próprios contribuintes.
Isso mostra que muitos casos poderiam ser evitados com mais atenção no momento do preenchimento da declaração.
Contador, confira aqui o levantamento completo da Receita Federal sobre o IRPF 2025.
Principais motivos que levam à malha fina
Vamos ao que interessa, contador. A Receita Federal divulga anualmente os principais erros que fazem uma declaração ser retida. Entre os mais comuns estão:
1. Despesas médicas indevidas
As despesas médicas são o motivo mais frequente de retenção na malha fina.
Isso ocorre quando:
- O valor declarado não corresponde ao informado pela clínica ou hospital.
- O gasto não é dedutível.
- Não há documentação que comprove a despesa.
Importante: esse tipo de inconsistência representa cerca de 32,6% das retenções.
2. Omissão de rendimentos
Outro erro muito comum é esquecer de declarar alguma fonte de renda. Isso pode ocorrer quando o contribuinte não informa:
- Salários recebidos de outro empregador.
- Rendimentos de dependentes.
- Aluguéis recebidos.
- Serviços prestados como autônomo.
Segundo dados do Fisco, a omissão de rendimentos representa cerca de 30,8% das retenções na malha.
3. Divergência no imposto retido na fonte
Outro problema frequente ocorre quando os valores informados pelo contribuinte não correspondem aos dados enviados pelas fontes pagadoras.
Essa divergência pode ocorrer, por exemplo, quando:
- O contribuinte digita valores incorretos.
- Utiliza informe de rendimentos desatualizado.
- Esquece algum pagamento recebido.
4. Informações inconsistentes sobre dependentes
Dependentes também geram muitos erros na declaração. Alguns problemas comuns incluem:
- Dependente declarado em mais de uma declaração.
- Despesas médicas informadas sem comprovação.
- Rendimentos do dependente não declarados.
Ponto de atenção para o contador: quando isso acontece, a Receita identifica a inconsistência durante o cruzamento de dados.
Como a Receita Federal identifica erros na declaração
Hoje, o processo de fiscalização é altamente automatizado. A Receita utiliza sistemas eletrônicos capazes de cruzar automaticamente informações com:
- Bancos.
- Empresas.
- Planos de saúde.
- Corretoras.
- Instituições financeiras.
Esses cruzamentos permitem detectar divergências com mais rapidez. Por isso, erros que antes passavam despercebidos hoje tendem a ser identificados com maior eficiência.
Como evitar cair na malha fina no IRPF 2026
Evitar problemas com o Imposto de Renda exige organização e atenção aos detalhes.
Veja algumas boas práticas recomendadas.
1. Organize todos os documentos antes de declarar
Antes de começar a declaração, reúna:
- Informes de rendimentos.
- Comprovantes de despesas médicas.
- Recibos de educação.
- Documentos de compra ou venda de bens.
- Extratos bancários e de investimentos
Para o contador, essa organização reduz o risco de esquecer informações importantes.
2. Use os dados do informe de rendimentos
Evite digitar valores manualmente sem conferir os informes enviados por empresas e bancos. Esses documentos são enviados diretamente à Receita Federal.
- Por isso, qualquer divergência pode gerar retenção.
3. Declare todos os rendimentos
Mesmo rendimentos isentos ou não tributáveis devem ser informados na declaração. Entre eles estão:
- Lucros e dividendos.
- Rendimentos de poupança.
- Indenizações trabalhistas.
- Em situações específicas previstas em lei, determinados rendimentos com tratamento isento.
A omissão dessas informações pode gerar inconsistências no cruzamento de dados da Receita Federal.
4. Tenha comprovantes das deduções
A legislação permite deduções em determinadas despesas, como:
- Educação.
- Saúde.
- Dependentes.
- Previdência privada.
No entanto, o contribuinte deve manter os comprovantes por pelo menos cinco anos, pois a Receita pode solicitar documentos para comprovação.
5. Revise a declaração antes de enviar
Um dos erros mais simples (e mais comuns) é enviar a declaração sem revisar. Antes da transmissão:
- Confira valores digitados.
- Revise dados dos dependentes.
- Verifique se todos os rendimentos foram incluídos.
- Confirme os dados bancários da restituição.
Ponto prático para os escritórios:
- Essa revisão final pode evitar muitos problemas.
O que fazer se cair na malha fina
Caso a declaração seja retida, a situação pode ser consultada no ‘Meu Imposto de Renda’ e nos serviços digitais da Receita, inclusive com acesso via e-CAC. (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte).
Nesse ambiente é possível:
- Consultar o extrato da declaração.
- Identificar a pendência.
- Enviar uma declaração retificadora, se necessário.
Importante:
- Se a inconsistência for corrigida antes de intimação ou notificação, a regularização tende a ser mais simples; ainda assim, eventuais encargos dependem da natureza da pendência e do momento da correção.
Atualização importante:
A Receita Federal anunciará as regras oficiais da DIRPF 2026 em 16 de março de 2026
Atenção às despesas médicas
Recibos emitidos por profissionais de saúde pessoas físicas passaram a ser digitais via Receita Saúde desde 2025.
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