A transição da Reforma Tributária exige que você, contador, revise processos, sistemas e enquadramentos com antecedência para orientar o cliente com mais segurança e reduzir retrabalho.
Como você está se organizando para auxiliar o seu cliente nessa transição?
O sistema tributário brasileiro ainda é marcado por alta complexidade, e estudos amplamente citados sobre o tema indicam que as empresas podem gastar mais de 1.500 horas por ano para cumprir obrigações tributárias.
Esse nível de complexidade ajuda a explicar por que mudanças dessa grandeza geram insegurança; especialmente para empresários que dependem do contador para interpretar e traduzir a legislação em decisões práticas.
É nesse ponto que surge uma grande virada de chave: o escritório contábil deixa de ser apenas um executor de rotinas fiscais e passa a assumir um papel estratégico na condução dos clientes durante a transição tributária.
A Reforma Tributária, instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, inaugura um novo modelo mais simples na teoria, mas que exige preparo, planejamento e orientação qualificada na prática.
Entenda o que está mudando no sistema tributário
O primeiro passo é compreender o novo modelo. A reforma substitui cinco tributos atuais por novos impostos sobre o consumo:
- PIS e COFINS (federais).
- ICMS (estadual).
- ISS (municipal).
- IPI (parcialmente substituído).
Esses tributos serão gradualmente substituídos por:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – federal
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – estadual e municipal
- Imposto Seletivo (IS) – federal
Esse novo modelo segue o conceito de IVA dual, no qual o imposto incide sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia econômica.
Em termos práticos: o sistema deixa de cobrar imposto em cascata e passa a tributar apenas o valor que cada empresa adiciona ao produto ou serviço.
Veja como será o cronograma de transição
A transição não ocorre de forma imediata. Ela será gradual, permitindo adaptação das empresas. Durante esse período, o modelo antigo e o novo coexistirão.
- 2026: início da implementação de IBS e CBS, com fase inicial de operacionalização e transição.
- 2027: avanço da substituição progressiva de tributos federais pela CBS.
- 2029: início da transição mais ampla do IBS no novo modelo de tributação sobre o consumo.
- 2033: consolidação completa do novo sistema.
Isso exige atenção redobrada, pois os escritórios e as empresas terão que lidar com dois sistemas simultaneamente.
Prepare seu cliente para mudanças operacionais
A reforma não impacta apenas impostos, mas também rotinas internas.
a) Atualização de sistemas fiscais: os sistemas de ERP e emissão de notas fiscais precisarão ser atualizados para destacar CBS e IBS nas operações.
b) Revisão de processos: será necessário revisar formação de preços, cadeia de fornecedores e classificação fiscal de produtos.
c) Adequação das obrigações acessórias: novas declarações e layouts fiscais serão exigidos, especialmente durante a fase de testes.
Reavalie o regime tributário do seu cliente
A reforma pode alterar significativamente a carga tributária dependendo do setor.
- Empresas do Simples Nacional continuam com tratamento diferenciado.
- Alguns setores terão reduções ou regimes específicos.
- O crédito tributário passa a ter papel central.
O contador deve simular cenários para entender se o modelo atual ainda é vantajoso. Não sendo, oriente o seu cliente a migrar de enquadramento tributário.
Explique o novo conceito de crédito tributário
Um dos pilares do novo modelo é ampliar a lógica de não cumulatividade, com maior relevância para o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia.
Em termos gerais, o modelo foi desenhado para permitir o aproveitamento de créditos nas etapas anteriores da cadeia e concentrar a incidência sobre o valor agregado em cada operação, conforme as regras aplicáveis.
Esse desenho busca reduzir distorções e aumentar a transparência da tributação sobre o consumo. Na prática, empresas com maior volume de insumos e créditos tendem a exigir uma análise ainda mais cuidadosa do impacto operacional e financeiro.
Atenção ao fato gerador dos novos tributos
No novo sistema, IBS e CBS incidem sobre operações com bens e serviços. Como regra geral, a ocorrência do fato gerador deve ser analisada conforme a disciplina legal aplicável, especialmente em relação ao fornecimento e, em certos casos, ao pagamento.
Isso está definido na Lei Complementar nº 214/2025. Neste caso, pode impactar o momento de reconhecimento de receitas e tributos.
Prepare seu cliente para mudanças na precificação
Com a nova lógica tributária, o imposto será mais transparente e, com isso, haverá destaque claro na nota fiscal, afetando o preço dos produtos. As empresas precisarão recalcular margens e estratégias comerciais.
Explique o papel do Imposto Seletivo
O Imposto Seletivo é um tributo federal com finalidade extrafiscal, aplicado a bens e serviços definidos em lei como prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A incidência do Imposto Seletivo depende de definição legal específica. Entre os exemplos mais associados a esse tipo de tributação estão produtos como bebidas alcoólicas e cigarros, além de outros itens previstos na legislação.
Destaque a importância da tecnologia
A Reforma Tributária vem acompanhada de forte digitalização e empresas precisarão investir em tecnologia para manter conformidade
- Integração entre fiscos.
- Plataforma nacional de apuração.
- Possível uso de sistemas automatizados de recolhimento.
Comunique constantemente
A transição exige um papel ativo do contador.
Boas práticas incluem:
- Reuniões periódicas com clientes
- Materiais explicativos simples
- Simulações de impacto
O cliente precisa entender não apenas “o que muda”, mas “como isso afeta o negócio dele”.
Antecipe riscos e oportunidades
A Reforma Tributária traz desafios, mas também oportunidades.
Abaixo, veja o que pode ser “um perigo” e quais os pontos positivos, que podem virar oportunidades para o seu escritório e, claro, ao seu cliente.
| RISCOS | OPORTUNIDADES |
| Aumento de carga tributária em alguns setores | Simplificação no longo prazo |
| Complexidade na fase de transição | Redução de litígios |
| — | Maior previsibilidade |
Tenha controle na tomada de decisão e impulsione resultados para o seu cliente
Daqui para frente, o contador assume um papel consultivo, ajudando a traduzir a legislação em decisões práticas.
Quanto antes começar a adaptação, menores serão os impactos e maiores as oportunidades de ganho.
Com preparo e boas ferramentas fiscais e contábeis, você (contador) pode melhorar a sua tomada de decisão, indicando ao seu cliente o caminho do sucesso.
Vale lembrar que a Jettax tem trabalhado bastante o tema da Reforma Tributária, esclarecendo dúvidas, propondo uma série de Webinars com especialistas da área.
O que queremos com tudo isso? Traduzir a complexidade tributária atual para que o contador e os escritórios não fiquem reféns do medo e incertezas da Reforma.
Quer saber quais serão os impactos da Reforma para o seu escritório? A Jettax decifra esse novo cenário para você.
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