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Quem pagará mais impostos com a Reforma Tributária? Mitos, verdades e impactos para as empresas

30 jul 2026 4 min de leitura
Artigo atualizado 30 jul 2026

Poucos assuntos geram tantas controvérsias como a Reforma Tributária. Não raro, nos deparamos com diversas afirmações, sejam elas verdadeiras ou não, desconsiderando segmento, estrutura operacional e o estágio de preparação para o novo sistema tributário.

Neste cenário, muito além da leitura dos dispositivos legais que estruturam a Reforma, faz-se necessário distinguir o que está na legislação daquilo que representa opiniões equivocadas.

O que você verá neste artigo:

  1. Por que a Reforma Tributária gera tantas dúvidas?
  2. Mito ou verdade? O que realmente muda com a Reforma Tributária
  3. Mito: a Reforma Tributária muda apenas as alíquotas
  4. Verdade: a gestão de créditos será um diferencial competitivo
  5. Aumento de alíquota significa aumento da carga tributária?
  6. Outros mitos sobre a Reforma Tributária
  7. Outras verdades que empresas e contadores precisam considerar
  8. Quem tende a pagar mais impostos com a Reforma Tributária?

O que realmente muda com a Reforma Tributária

Quando discutimos, ainda que de forma superficial, sobre Reforma Tributária, logo passamos a validar e/ou questionar afirmações comuns no meio contábil e empresarial.

Por exemplo, há quem defenda a ideia de que ela será apenas uma mudança de alíquota; por outro lado, existem aqueles que afirmam que a gestão de créditos será um diferencial competitivo.

Você deve estar se perguntando: “De qual lado devo ficar?” Antes de escolher, devemos analisar se as duas expressões anteriores são mitos ou verdades. Vamos aos fatos?

Mito: a Reforma Tributária muda apenas as alíquotas

Na primeira expressão, temos a interpretação comum de todos aqueles que ainda não entenderam, de fato, a Reforma Tributária. Além das mudanças de alíquotas, haverá alterações na composição de preços de produtos e serviços.

  • Também será necessário revisar contratos, parametrizações de sistemas.

Ademais, a Reforma deverá impactar diretamente o fluxo de caixa, especialmente com a implementação do split payment. Este mito talvez seja um dos maiores erros sobre a Reforma Tributária.

Verdade: a gestão de créditos será um diferencial competitivo

No segundo exemplo, há uma das maiores verdades (e um dos pilares) da Reforma Tributária: a gestão de créditos será primordial no cotidiano das empresas.

  • Aquelas que tiverem uma governança de créditos bem estruturada terão maior competitividade.

Isto está diretamente ligado a saber exatamente de quem e por que comprar (ainda que por um valor maior), pois essa gestão de créditos influenciará diretamente as decisões, reduzirá custos fiscais e reforçará a importância da classificação tributária e da matriz de fornecedores neste processo.

Aumento de alíquota significa aumento da carga tributária?

Outro ponto que merece destaque é que o aumento das alíquotas não significa maior carga tributária, isto dependerá da quantidade de créditos aproveitados na cadeia econômica.

Por exemplo:

  • Considerando despesas com mercadoria para revenda ou custo de serviço prestado, sistemas, serviços contábeis e outras compras que gerem direito de aproveitamento de créditos, quem sofrerá maior impacto em relação à carga tributária, o serviço de Prático de Navios ou Indústria de Calçados?

Neste cenário, podemos observar que a cadeia de custos da indústria proporcionaria créditos que reduziriam sua carga tributária, diferentemente do que ocorreria com o serviço de práticos de navios.

Outrossim, poderia citar duas empresas com a mesma atividade econômica e, apesar disso, elas não teriam a mesma quantidade de créditos. Isto se daria pelo fato de, embora pertencentes ao mesmo segmento, não possuírem as mesmas despesas.

Outros mitos sobre a Reforma Tributária

  • Reforma Tributária é assunto exclusivo do setor fiscal;

Comentário: a Reforma deixa de ser um tema restrito ao setor fiscal e passará a ser tratada por outras áreas da empresa, como comercial, contábil e financeiro.

  • Empresas devem se preocupar somente em 2033;

Comentário: o período de transição está em andamento. Diversas notas técnicas estão sendo publicadas, ajustes sistêmicos já precisam ser realizados e as empresas que não concluírem este processo de adaptação terão problemas para cumprir as exigências.

  • Será o fim do Simples Nacional

Comentário: permanecerá tão estratégico quanto hoje. No entanto, empresas que operam no modelo B2B precisarão avaliar se fará sentido permanecer no Simples Nacional (modelo híbrido) ou migrar para o Regime Normal.

  • A Reforma reduzirá a complexidade tributária.

Comentário: é um dos objetivos, mas a transição nos trouxe novos componentes nas operações e emissões de documentos fiscais. Por exemplo, cClassTrib, NBS e novos eventos.

Outras verdades que empresas e contadores precisam considerar

  • Empresas com baixa liquidez tendem a enfrentar maiores desafios com a nova forma de recolher impostos;

Comentário: partindo da metodologia de precificação onde o imposto está “por dentro”, algumas empresas utilizam o recurso destinado aos tributos para financiar a própria operação. Com o split payment e sem capital de giro, essas empresas enfrentarão dificuldades.

  • Contador passará a atuar como consultor estratégico, será ainda mais importante no processo de tomada de decisão; e

Comentário: o contador assumirá posição de destaque, deverá auxiliar as empresas na correta interpretação das mudanças, avaliação de cenários e tomada de decisões.

  • Revisar a classificação tributária dos seus produtos/serviços será essencial.

Comentário: com o objetivo de garantir a emissão correta dos seus documentos fiscais e evitar possíveis multas, este procedimento torna-se essencial para a operação de toda e qualquer empresa.

Quem tende a pagar mais impostos com a Reforma Tributária?

Ex-positis, o risco da Reforma não está apenas na alteração de alíquotas, mas na falsa percepção de que seus impactos poderão ser enfrentados sem planejamento.

Além das mudanças legislativas, a Reforma Tributária trará transformações significativas na gestão empresarial e isto exigirá planejamento imediato.

A resposta sobre quem pagará mais impostos não está somente na alíquota aplicada, mas, sobretudo, na forma como cada empresa estará preparada para o novo sistema tributário.

Dúvidas recorrentes (FAQ)

1. Quem pagará mais impostos com a Reforma Tributária?

Não existe uma resposta única. O impacto dependerá do modelo de negócio, da estrutura de custos, da capacidade de aproveitar créditos tributários e do nível de preparação da empresa para as novas regras. Empresas com menor geração de créditos ou baixa organização fiscal podem sentir um impacto maior.

2. A Reforma Tributária aumenta a carga tributária de todas as empresas?

Não necessariamente. O aumento das alíquotas nominais não significa, por si só, aumento da carga tributária. O resultado final dependerá da gestão de créditos, da cadeia de fornecedores e das características de cada operação.

3. A gestão de créditos será mais importante com a Reforma Tributária?

Sim. Com o modelo de IVA Dual (CBS e IBS), a correta apuração e o aproveitamento dos créditos passam a influenciar diretamente os custos, a formação de preços e a competitividade das empresas.

4. Empresas do Simples Nacional serão prejudicadas pela Reforma Tributária?

O Simples Nacional continuará existindo. No entanto, empresas que atuam principalmente no mercado B2B precisarão avaliar se permanecer no regime é a melhor estratégia, especialmente diante das novas regras de creditamento e do modelo híbrido previsto na legislação.

5. Como as empresas podem se preparar para a Reforma Tributária?

A preparação envolve revisar a classificação tributária de produtos e serviços, atualizar sistemas, revisar contratos, avaliar a cadeia de fornecedores, mapear impactos financeiros e investir em planejamento tributário antes da conclusão do período de transição.