A Reforma Tributária exige que os contadores revisem a estratégia tributária dos clientes antes de 2027. Entenda como avaliar benefícios fiscais, cadastros, fornecedores, créditos e custos para antecipar impactos e tomar decisões mais seguras.
2027 é o ano em que a Reforma Tributária sai do período de testes e começa, de fato, a transformar a rotina das empresas. PIS e Cofins serão extintos e a CBS assumirá seu lugar.
Ao mesmo tempo, teremos o regime híbrido do Simples Nacional para quem fez essa opção, o início da implementação do split payment, os mecanismos de cashback, entre outras mudanças.
Esperar 2027 para agir é a pior decisão que você pode tomar. É necessário agir agora. As ações de 2027 dependem de decisões que serão tomadas agora.
O que você vai ler neste artigo:
- Priorize os clientes mais impactados pela Reforma Tributária
- Revise os cadastros para garantir os benefícios fiscais
- Avalie o impacto dos fornecedores no custo tributário dos clientes
- Simule impacto antes de recomendar qualquer mudança
- O que não deixar para janeiro
- Chegue a 2027 com seus clientes preparados
Priorize os clientes mais impactados pela Reforma Tributária
Dentro do meu dia a dia sempre parto do princípio de que devo, dentro das possibilidades legais, fazer meu cliente economizar dinheiro ou minimamente não o perder. Isso envolve garantir que tributariamente ele esteja apto a aproveitar todas as oportunidades de redução a que tem direito.
A Reforma Tributária vai mexer no bolso das empresas. Algumas pagarão menos tributos do que pagam no regime atual; outras, mais. Nosso papel é garantir que cada cliente aproveite, dentro da lei, a alternativa mais adequada ao seu perfil.
Sendo assim, para iniciar eu recomendaria olhar para sua base de clientes e se perguntar: “Quais clientes serão os mais impactados?”
Tente agrupar os clientes em diferentes perfis. Por exemplo, se você identificou que seu cliente mais impactado é uma indústria alimentícia, tente juntar todos os demais clientes que também são deste setor para fazerem parte de seu primeiro grupo de análise, pois o que fizer para um, servirá para outro.
Estabelecida a ordem de análise dos clientes, faça as seguintes perguntas:
1. Este perfil de cliente tem como atividade a venda ou a prestação de serviços de algo que é beneficiado com redução de alíquota ou isenção?
2. Se houver algum benefício, existem critérios que precisam ser atendidos para poder usufruir?
3. Se existem critérios, meu cliente os atende?
4. Se não atende, o que precisa mudar para atender?
Respondidas estas perguntas, você entenderá o que precisa ser revisado antes da reforma tributária.
Revise os cadastros para garantir os benefícios fiscais
Digamos que eu atenda uma indústria de produtos lácteos. Determinados produtos desse setor podem estar sujeitos à redução de 60% ou à alíquota zero de IBS e CBS, conforme sua classificação e enquadramento nas listas previstas na legislação.
Para que a empresa possa utilizar corretamente esses benefícios, O cadastro dos itens precisa estar impecável. Nenhum campo pode faltar ou estar incorreto. O que deve ser verificado:
— NCM; cClassTrib;
— CST ICMS, CST IBS/CBS, CEST, alíquota IBS, CBS e ICMS.
Importante:
- O documento fiscal eletrônico terá papel central na apuração assistida do IBS e da CBS. As informações declaradas na nota serão utilizadas pelo sistema para formação dos débitos e créditos da operação. Por isso, erros na emissão podem refletir diretamente na apuração.
Por isso, reforço: revisar o cadastro de mercadorias é essencial. Errou no cadastro, errou na nota, errou na nota, errou na apuração.
Este foi só um exemplo. Verifique, em sua carteira, todos os clientes que possuem possibilidade de redução de alíquota e verifique se precisa ser feito algum movimento para que ele faça jus à redução. É melhor avisá-lo antes do que deixar que ele descubra depois que poderia estar pagando menos.
Avalie o impacto dos fornecedores no custo tributário dos clientes
Após analisar quem tem benefícios, analise quem pode ter aumento na carga tributária. Neste grupo entram principalmente as empresas que têm como seus principais fornecedores optantes pelo regime do Simples Nacional com IBS e CBS dentro do DAS.
A ideia aqui é olhar para os clientes que não possuem possibilidade de redução de carga tributária, mas que podem ser impactados pela forma como seus fornecedores serão tributados.
No novo modelo, o crédito de IBS e CBS do adquirente estará diretamente relacionado ao tributo incidente na aquisição e à sua efetiva extinção, observadas as regras previstas na legislação.
Veja sobre precificação: Reforma Tributária: como IBS e CBS podem impactar a formação de preços
Por isso, se o fornecedor é optante pelo Simples Nacional e mantém IBS e CBS dentro do DAS, vale perguntar:
1. Existem outras empresas que vendem ou prestam o mesmo serviço que meu fornecedor?
2. Estes outros fornecedores vendem mais caro ou mais barato do que meu fornecedor atual?
3. Se for mais caro, o crédito de IBS e CBS que essa aquisição poderá gerar compensa o preço mais alto que irei pagar?
Depois da Reforma, nem sempre o menor preço será também o menor custo.
Simule impacto antes de recomendar qualquer mudança
Depois de identificar benefícios, revisar cadastros e analisar a cadeia de fornecedores, é hora de colocar os números na mesa. Não basta concluir que determinada empresa terá direito a mais créditos ou estará sujeita a determinada alíquota. É necessário simular o efeito no custo, no preço de venda, na margem e no fluxo financeiro.
Compare cenários:
- Quanto a empresa paga hoje?
- Quanto poderá pagar em 2027?
- Quanto conseguirá se creditar?
- O preço atual continua preservando sua margem?
Em alguns casos, a conclusão pode ser que nenhuma mudança seja necessária. Em outros, poderá ser necessário rever fornecedores, preços ou até decisões relacionadas ao regime tributário. Planejamento tributário sem simulação é apenas expectativa.
O que não deixar para janeiro
O maior erro será tratar janeiro de 2027 como o início da preparação. Entre os principais pontos de atenção estão:
- Deixar a revisão cadastral para depois da virada;
- Analisar a carga tributária sem considerar os créditos;
- Olhar apenas para o regime do cliente e ignorar seus fornecedores;
- Alterar preços ou estratégias sem antes realizar simulações.
Em janeiro, a empresa já deverá estar operando. A análise precisa acontecer antes.
Chegue a 2027 com seus clientes preparados
A preparação para 2027 não começa com a primeira nota emitida em janeiro. Ela começa agora, identificando quais clientes serão mais impactados, revisando cadastros, benefícios, fornecedores, créditos e simulando diferentes cenários.
O papel do contador neste momento não é apenas garantir que a empresa esteja tecnicamente preparada para cumprir as novas obrigações.
É ajudá-la a chegar a 2027 sabendo quanto vai pagar, onde poderá economizar e quais decisões precisa tomar antes que a Reforma comece a afetar seu caixa. Em 2027 será hora de executar. O planejamento precisa acontecer antes.

Perguntas frequentes
O que o contador deve revisar na estratégia tributária dos clientes antes de 2027?
O contador deve identificar os clientes mais impactados pela Reforma Tributária, revisar cadastros fiscais, verificar benefícios e reduções de alíquotas, avaliar fornecedores, analisar créditos de IBS e CBS e simular os efeitos sobre custos, preços e margens.
Por que revisar os cadastros fiscais antes de 2027?
Os cadastros precisam conter informações corretas, como NCM, cClassTrib e CST, para contribuir com a classificação adequada das operações e a emissão correta dos documentos fiscais. Inconsistências podem afetar a apuração do IBS e da CBS e o aproveitamento de benefícios fiscais.
Como os fornecedores do Simples Nacional podem impactar os custos em 2027?
A forma de recolhimento do IBS e da CBS pelo fornecedor pode influenciar os créditos aproveitáveis pelo adquirente. Por isso, o contador deve avaliar as condições comerciais, os créditos possíveis e o custo total das aquisições antes de recomendar mudanças na cadeia de fornecedores.
Por que simular os impactos da Reforma Tributária antes de alterar a estratégia fiscal?
As simulações permitem comparar a carga tributária atual com os possíveis custos em 2027, considerando créditos, preços de venda, margens e fluxo financeiro. Assim, o contador consegue fundamentar suas recomendações em cenários concretos, em vez de tomar decisões com base apenas em expectativas.
