14 set 2026 • 5 min de leitura
Artigo atualizado 14 set 2026

A nova DRE, prevista pela NBC TG 51, muda a forma como o resultado das empresas é apresentado. A partir dela, o lucro passa a ser organizado por categorias como operacional, investimento, financiamento, impostos sobre o lucro e operações descontinuadas.

Por muito tempo a contabilidade conviveu com a DRE em formato extremamente simples: soma-se todas as receitas, subtraem-se os custos e despesas e chegamos ao lucro.  

Uma conta de padeiro que funcionava para trazer a informação sobre o quanto de lucro a empresa tinha, mas deixava um enorme espaço em branco: responder como esse lucro foi formado. 

Em busca dessa resposta, foi publicada a norma NBC TG 51 no Brasil. Uma nova estrutura de Demonstração de Resultado surgia e agora além de responder quanto era o lucro, essa demonstração também informava sobre a qualidade desse o lucro (ou prejuízo). 

O que você vai ler neste artigo:

  • O que é a Nova DRE (CPC 51 / NBC TG 51)?
  • Como era e como ficou a DRE
  • O que significa cada categoria da Nova DRE?
  • Categoria Operacional
  • Categoria de Investimento
  • Categoria de Financiamento
  • Impostos sobre o lucro
  • Operações Descontinuadas
  • O que muda na prática para o contador?
  • Quando a Nova DRE entra em vigor?
  • Como o contador deve se preparar para a Nova DRE?

O que é a Nova DRE (CPC 51 / NBC TG 51)? 

A nova estrutura da DRE trazida com a NBC TG 51 muda completamente a forma de apresentação do resultado com a organização da estrutura sendo feita com base em 5 categorias principais. 

As 5 categorias tem a missão de informar aos usuários das demonstrações contábeis como aquele lucro foi gerado. 

Imagine a situação hipotética de um lucro de R$100 gerado por uma empresa. Esse lucro é bom ou ruim?  

A primeira vista não dá pra saber dado que não sabemos se ele foi gerado apenas com as atividades principais da empresa, ou com a venda de um imobilizado relevante ou se apenas com base em participações acionárias em outras companhias. 

Já com a nova estrutura da DRE, o usuário da informação contábil sabe exatamente qual a origem e qualidade desse lucro.  

Um lucro gerado em sua maior parte por atividades operacionais, ou seja, do objeto social da entidade, tendem a apresentar perenidade e maior estabilidade da companhia. 

Já um lucro gerado em sua maior parte por atividades descontinuadas, como a venda de um ativo imobilizado relevante, tende a não se sustentar no longo prazo, afinal, não dá para vender o mesmo imobilizado por várias vezes. 

Como era e como ficou a DRE 

Um ponto importante é tratarmos como era e como ficou a DRE após as mudanças trazidas de acordo com o CPC 51. 

Antes, a Demonstração do Resultado tinha essa estrutura – DRE Pós-Reforma Tributária (IBS e CBS):

Faturamento Bruto (nota fiscal com IBS e CBS destacados) (-) IBS + CBS “por fora” (repasse ao Fisco — tratamento tipo IPI) = Receita Bruta (sem ICMS, PIS, COFINS e ISS) (-)

Devoluções e Abatimentos = Receita Líquida (-) CMV / CPV / CSP (créditos amplos e não cumulativos) = Lucro Bruto (-)

Despesas Operacionais (+/-) Resultado Financeiro (Split Payment muda o caixa, não a DRE) = LAIR (Lucro Antes do IR e da CSLL) (-) IRPJ e CSLL = Lucro Líquido do Exercício 

Era uma estrutura de funil onde no topo era apresentada a receita da empresa, menos suas deducoes, custos e despesas. 

Entenda também: PGDAS e DRE gerencial: como extrair insights da apuração? 

Já após o CPC 51, a estrutura da DRE segue a lógica abaixo: 

CATEGORIA OPERACIONAL 

  Receita de Contratos com Clientes 

  (-) Custos dos Produtos/Serviços Prestados 

  = Lucro Bruto 

  (-) Despesas Operacionais 

  = LUCRO OPERACIONAL (subtotal obrigatório) 

CATEGORIA DE INVESTIMENTO 

  Resultado de Equivalência Patrimonial 

  Outras Receitas/Despesas de Investimentos 

  = LUCRO ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO E DOS TRIBUTOS (subtotal obrigatório) 

CATEGORIA DE FINANCIAMENTO 

  (-) Despesas Financeiras 

  Receitas Financeiras 

  = Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro 

CATEGORIA DE IMPOSTOS SOBRE O LUCRO 

  (-) IRPJ e CSLL Correntes 

  (-) IRPJ e CSLL Diferidos 

  = Resultado Líquido das Operações Continuadas 

CATEGORIA DE OPERAÇÕES DESCONTINUADAS 

  Resultado Líquido de Operações Descontinuadas 

= LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 

Continua sendo uma estrutura de funil, porém com uma organização diferente. Agora a lógica seguida é a de: qual atividade da empresa é responsável por essa receita ou custo?  

Essas atividades podem ser as do próprio objeto social (aividades operacionais), de atividades de investimento, de financiamento, de impostos sobre o lucro ou de operacoes descontidas. 

Abaixo, explico brevemente o que deve ser classificado em cada uma dessas categorias. 

Categoria Operacional 

Reúne o resultado das atividades principais da entidade — aquilo que, de fato, gera receita no curso normal do negócio. É o ponto de partida da comparabilidade que a norma busca. 

Categoria de Investimento 

Abrange resultados de ativos que geram retorno de forma independente das operações principais — como receitas de investimentos e participações societárias avaliadas por equivalência patrimonial. 

Categoria de Financiamento 

Concentra despesas e receitas relacionadas à estrutura de capital da empresa — juros sobre empréstimos, financiamentos e instrumentos de dívida, entre outros. 

Impostos sobre o lucro 

Inclui a despesa tributária ou a receita tributária que esteja incluída na demonstração do resultado aplicando a NBC TG 32 (R4) – Tributos sobre o Lucro, e quaisquer diferenças cambiais relacionadas. 

Operações Descontinuadas 

Inclui as receitas e despesas de operações descontinuadas, conforme exigido pela NBC TG 31 (R4) – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada.  

O que muda na prática para o contador 

Aqui que entre o papel do contador consultivo. Antes, gerar a informação de que a companhia teve lucro em determinado período era o trabalho e até que um trabalho simples em muitas empresas. 

A partir de agora o jogo muda. O que o contador deve observar não é apenas a receita e a despesa de uma empresa, mas todo o seu contexto: 

  • Qual a origem da maior parcela do lucro?  
  • Em qual das categorias essa parcela está?  
  • O que isso impacta para o usuário da informação contábil? 

O termo a ser posto na mesa agora não é apenas se houve lucro ou prejuízo, mas a qualidade desse lucro ou prejuízo. 

Agora, mais do que nunca, o contador deixa de ser apenas um gerador de informações e passa a ser um parceiro estratégico do cliente 

Saber traduzir esses dados para o cliente e usuário da informação deixa de ser diferencial e passa a ser obrigação. 

Talvez o cliente não tenha essa visão apurada para entender sobre a qualidade do lucro. Muitas vezes o cliente se preocupa apenas com o caixa que entrou.  

Cabe ao contador organizar os dados captados e organizados na nova DRE e traduzir ao cliente para que ele, de posse dessas informações, possa tomar melhores decisões. 

A conta do lucro continua a mesma ao fim do dia: Somar as receitas e subtrair as despesas e custos. O que muda é a transparência desse cálculo. Agora com a nova estrutura da DRE tudo está mais transparente ao usuário das demonstrações contábeis. 

Quando a nova DRE entra em vigor 

Importante ressaltar que, apesar da NBC TG 51 já ter sido publicada e a NBC TG 26 revogada, o uso da nova estrutura da Demonstração do Resultado só será obrigatório a partir do exercício social iniciado em 2027. 

MAs isso significa que os contadores não precisam se preocupar com ela ainda?  

Não. Os contadores já devem iniciar o processo de estruturação do plano de contas dado que a Demonstração do Resultado de 2027 deverá ser apresentada de forma comparativa com 2026.

Ou seja, toda a DRE de 2026 feita no modelo antigo precisará ser refeita para o modelo novo e assim possibilitar a comparação do resultado de 2027. 

Banner Jettax.

Perguntas frequentes