A nova DRE, prevista pela NBC TG 51, muda a forma como o resultado das empresas é apresentado. A partir dela, o lucro passa a ser organizado por categorias como operacional, investimento, financiamento, impostos sobre o lucro e operações descontinuadas.
Por muito tempo a contabilidade conviveu com a DRE em formato extremamente simples: soma-se todas as receitas, subtraem-se os custos e despesas e chegamos ao lucro.
Uma conta de padeiro que funcionava para trazer a informação sobre o quanto de lucro a empresa tinha, mas deixava um enorme espaço em branco: responder como esse lucro foi formado.
Em busca dessa resposta, foi publicada a norma NBC TG 51 no Brasil. Uma nova estrutura de Demonstração de Resultado surgia e agora além de responder quanto era o lucro, essa demonstração também informava sobre a qualidade desse o lucro (ou prejuízo).
O que você vai ler neste artigo:
- O que é a Nova DRE (CPC 51 / NBC TG 51)?
- Como era e como ficou a DRE
- O que significa cada categoria da Nova DRE?
- Categoria Operacional
- Categoria de Investimento
- Categoria de Financiamento
- Impostos sobre o lucro
- Operações Descontinuadas
- O que muda na prática para o contador?
- Quando a Nova DRE entra em vigor?
- Como o contador deve se preparar para a Nova DRE?
O que é a Nova DRE (CPC 51 / NBC TG 51)?
A nova estrutura da DRE trazida com a NBC TG 51 muda completamente a forma de apresentação do resultado com a organização da estrutura sendo feita com base em 5 categorias principais.
As 5 categorias tem a missão de informar aos usuários das demonstrações contábeis como aquele lucro foi gerado.
Imagine a situação hipotética de um lucro de R$100 gerado por uma empresa. Esse lucro é bom ou ruim?
A primeira vista não dá pra saber dado que não sabemos se ele foi gerado apenas com as atividades principais da empresa, ou com a venda de um imobilizado relevante ou se apenas com base em participações acionárias em outras companhias.
Já com a nova estrutura da DRE, o usuário da informação contábil sabe exatamente qual a origem e qualidade desse lucro.
Um lucro gerado em sua maior parte por atividades operacionais, ou seja, do objeto social da entidade, tendem a apresentar perenidade e maior estabilidade da companhia.
Já um lucro gerado em sua maior parte por atividades descontinuadas, como a venda de um ativo imobilizado relevante, tende a não se sustentar no longo prazo, afinal, não dá para vender o mesmo imobilizado por várias vezes.
Como era e como ficou a DRE
Um ponto importante é tratarmos como era e como ficou a DRE após as mudanças trazidas de acordo com o CPC 51.
Antes, a Demonstração do Resultado tinha essa estrutura – DRE Pós-Reforma Tributária (IBS e CBS):
Faturamento Bruto (nota fiscal com IBS e CBS destacados) (-) IBS + CBS “por fora” (repasse ao Fisco — tratamento tipo IPI) = Receita Bruta (sem ICMS, PIS, COFINS e ISS) (-)
Devoluções e Abatimentos = Receita Líquida (-) CMV / CPV / CSP (créditos amplos e não cumulativos) = Lucro Bruto (-)
Despesas Operacionais (+/-) Resultado Financeiro (Split Payment muda o caixa, não a DRE) = LAIR (Lucro Antes do IR e da CSLL) (-) IRPJ e CSLL = Lucro Líquido do Exercício
Era uma estrutura de funil onde no topo era apresentada a receita da empresa, menos suas deducoes, custos e despesas.
Entenda também: PGDAS e DRE gerencial: como extrair insights da apuração?
Já após o CPC 51, a estrutura da DRE segue a lógica abaixo:
CATEGORIA OPERACIONAL
Receita de Contratos com Clientes
(-) Custos dos Produtos/Serviços Prestados
= Lucro Bruto
(-) Despesas Operacionais
= LUCRO OPERACIONAL (subtotal obrigatório)
CATEGORIA DE INVESTIMENTO
Resultado de Equivalência Patrimonial
Outras Receitas/Despesas de Investimentos
= LUCRO ANTES DO RESULTADO FINANCEIRO E DOS TRIBUTOS (subtotal obrigatório)
CATEGORIA DE FINANCIAMENTO
(-) Despesas Financeiras
Receitas Financeiras
= Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro
CATEGORIA DE IMPOSTOS SOBRE O LUCRO
(-) IRPJ e CSLL Correntes
(-) IRPJ e CSLL Diferidos
= Resultado Líquido das Operações Continuadas
CATEGORIA DE OPERAÇÕES DESCONTINUADAS
Resultado Líquido de Operações Descontinuadas
= LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO
Continua sendo uma estrutura de funil, porém com uma organização diferente. Agora a lógica seguida é a de: qual atividade da empresa é responsável por essa receita ou custo?
Essas atividades podem ser as do próprio objeto social (aividades operacionais), de atividades de investimento, de financiamento, de impostos sobre o lucro ou de operacoes descontidas.
Abaixo, explico brevemente o que deve ser classificado em cada uma dessas categorias.
Categoria Operacional
Reúne o resultado das atividades principais da entidade — aquilo que, de fato, gera receita no curso normal do negócio. É o ponto de partida da comparabilidade que a norma busca.
Categoria de Investimento
Abrange resultados de ativos que geram retorno de forma independente das operações principais — como receitas de investimentos e participações societárias avaliadas por equivalência patrimonial.
Categoria de Financiamento
Concentra despesas e receitas relacionadas à estrutura de capital da empresa — juros sobre empréstimos, financiamentos e instrumentos de dívida, entre outros.
Impostos sobre o lucro
Inclui a despesa tributária ou a receita tributária que esteja incluída na demonstração do resultado aplicando a NBC TG 32 (R4) – Tributos sobre o Lucro, e quaisquer diferenças cambiais relacionadas.
Operações Descontinuadas
Inclui as receitas e despesas de operações descontinuadas, conforme exigido pela NBC TG 31 (R4) – Ativo Não Circulante Mantido para Venda e Operação Descontinuada.
O que muda na prática para o contador
Aqui que entre o papel do contador consultivo. Antes, gerar a informação de que a companhia teve lucro em determinado período era o trabalho e até que um trabalho simples em muitas empresas.
A partir de agora o jogo muda. O que o contador deve observar não é apenas a receita e a despesa de uma empresa, mas todo o seu contexto:
- Qual a origem da maior parcela do lucro?
- Em qual das categorias essa parcela está?
- O que isso impacta para o usuário da informação contábil?
O termo a ser posto na mesa agora não é apenas se houve lucro ou prejuízo, mas a qualidade desse lucro ou prejuízo.
Agora, mais do que nunca, o contador deixa de ser apenas um gerador de informações e passa a ser um parceiro estratégico do cliente
Saber traduzir esses dados para o cliente e usuário da informação deixa de ser diferencial e passa a ser obrigação.
Talvez o cliente não tenha essa visão apurada para entender sobre a qualidade do lucro. Muitas vezes o cliente se preocupa apenas com o caixa que entrou.
Cabe ao contador organizar os dados captados e organizados na nova DRE e traduzir ao cliente para que ele, de posse dessas informações, possa tomar melhores decisões.
A conta do lucro continua a mesma ao fim do dia: Somar as receitas e subtrair as despesas e custos. O que muda é a transparência desse cálculo. Agora com a nova estrutura da DRE tudo está mais transparente ao usuário das demonstrações contábeis.
Quando a nova DRE entra em vigor
Importante ressaltar que, apesar da NBC TG 51 já ter sido publicada e a NBC TG 26 revogada, o uso da nova estrutura da Demonstração do Resultado só será obrigatório a partir do exercício social iniciado em 2027.
MAs isso significa que os contadores não precisam se preocupar com ela ainda?
Não. Os contadores já devem iniciar o processo de estruturação do plano de contas dado que a Demonstração do Resultado de 2027 deverá ser apresentada de forma comparativa com 2026.
Ou seja, toda a DRE de 2026 feita no modelo antigo precisará ser refeita para o modelo novo e assim possibilitar a comparação do resultado de 2027.
Perguntas frequentes
O que é a Nova DRE?
A Nova DRE é a estrutura de Demonstração do Resultado prevista pela NBC TG 51, baseada no CPC 51. Ela organiza receitas, custos e despesas em cinco categorias para mostrar não apenas o lucro ou prejuízo da empresa, mas também como esse resultado foi formado.
O que muda na DRE com a NBC TG 51?
A principal mudança é a classificação dos resultados em cinco categorias: operacional, investimento, financiamento, impostos sobre o lucro e operações descontinuadas. Com isso, o usuário das demonstrações consegue identificar melhor a origem e a qualidade do lucro.
Quando a Nova DRE será obrigatória?
A nova estrutura da DRE será obrigatória para exercícios sociais iniciados a partir de 2027. Porém, a preparação precisa começar antes, porque a DRE de 2027 deverá ser apresentada de forma comparativa com 2026.
O que muda na prática para o contador?
O contador precisará revisar a estrutura do plano de contas e a classificação das receitas, custos e despesas para atender à nova DRE. Além disso, ganha importância a capacidade de interpretar os dados e explicar ao cliente de onde vem o resultado e qual é a qualidade desse lucro.

