Homem de camisa social azul-clara e gravata escura, usando óculos, sentado em uma mesa de escritório digitando no teclado enquanto analisa documentos com gráficos coloridos. Ao fundo, um escritório moderno com plantas e outras estações de trabalho desfocadas.

Reforma Tributária: quais impactos merecem a atenção imediata dos empresários 

10 set 2026 • 4 min de leitura
Artigo atualizado 10 set 2026

A Reforma Tributária já exige decisões antes de 2033. Empresas precisam avaliar impactos sobre margem, contratos, fluxo de caixa, sistemas e qualidade dos dados para atravessar a transição com mais previsibilidade. O caminho começa por mapear operações, simular cenários e testar processos ainda em 2026.

Hoje é um dia muito especial, pois esta é a minha primeira coluna aqui na Jettax. Agradeço imensamente a oportunidade de colaborar com a comunidade de contabilistas e empresários por meio da divulgação de conhecimento.  

Quero aproveitar este espaço para aproximar os temas tributários das decisões que empresas e escritórios contábeis precisam tomar todos os dias, compartilhando reflexões e orientações que ajudem a reduzir riscos, organizar a rotina e compreender os efeitos dos impostos sobre os negócios. 

Nesta estreia, começo por um assunto que já ocupa a agenda de empresários e profissionais da contabilidade: a Reforma Tributária sobre o consumo.  

Diante de tantas siglas, normas e mudanças operacionais, é compreensível a dificuldade de identificar prioridades.

Para avançar precisamos traduzir as discussões em perguntas concretas: o preço continuará adequado? O caixa suportará as mudanças? Os sistemas e as pessoas estão preparados? 

O que você vai ler neste artigo:

  • Calendário exige decisões antes de 2033
  • Margem depende de mais do que a alíquota
  • Compras e contratos precisam participar da análise
  • Fluxo de caixa também pode mudar
  • Qualidade dos dados determina a qualidade da rotina
  • Erros que dificultam a preparação
  • Plano possível para os próximos 100 dias

Calendário exige decisões antes de 2033 

A CBS, de competência federal, substituirá o PIS e a Cofins já em janeiro de 2027. Já a substituição do ICMS e ISS pelo IBS, de competência compartilhada entre estados e municípios, ocorrerá gradualmente com conclusão em 2033.  

Durante a transição as empresas conviverão literalmente com tributos e procedimentos dos dois modelos. Certamente um grande desafio! 

Esse calendário precisa entrar no planejamento de cada negócio. Um contrato negociado hoje pode continuar vigente quando a tributação mudar, enquanto a adaptação do faturamento depende de providências anteriores à emissão da primeira nota sob as novas regras.  

A proximidade de 2027 torna necessário definir responsáveis, prioridades e prazos ainda em 2026. 

Margem depende de mais do que a alíquota 

A pergunta sobre pagar mais ou menos tributos merece uma resposta construída com os números reais da empresa. Comparar a tributação atual com uma alíquota estimada de CBS e IBS, isoladamente, pode distorcer a análise.  

É preciso considerar os créditos aproveitáveis nas aquisições, o tratamento aplicável à atividade e as condições comerciais. 

Duas empresas com faturamento semelhante podem apresentar resultados substancialmente diferentes porque compram de fornecedores distintos, têm estruturas de custos próprias e atendem públicos com capacidades diferentes de absorver reajustes.  

Por isso, a simulação deve partir das operações efetivas e identificar como cada cenário altera a margem. 

Para começar, selecione os produtos ou serviços mais relevantes e compare receita, custos, tributos e créditos no modelo atual e no novo. Registre as premissas utilizadas, especialmente quando houver estimativas.  

Uma projeção que pode ser atualizada é mais útil do que um número aparentemente preciso cuja origem ninguém consegue explicar. 

Compras e contratos precisam participar da análise 

A possibilidade de aproveitamento de créditos deve integrar a avaliação dos fornecedores. Isso não significa decidir uma compra exclusivamente pelo regime tributário de quem vende.  

  • Preço, qualidade, prazo de entrega e segurança do fornecimento continuam relevantes, mas o custo após os créditos precisa fazer parte da comparação. 
  • Indo para os contratos, revise como estão definidos o preço e os tributos, quais são as condições de reajuste e se existe mecanismo de revisão diante de alterações tributárias.  
  • Identifique primeiro os contratos de maior valor e duração. Discutir esses pontos antecipadamente permite negociar com informação, sem depender de uma solução às pressas quando a margem já estiver pressionada. 

Fluxo de caixa também pode mudar 

O split payment, mecanismo de separação e recolhimento do tributo na liquidação financeira da operação, merece acompanhamento. Sua implantação depende das etapas e regras aplicáveis e não deve ser tratada como uma retenção universal e imediata sobre todas as vendas. 

  • Nas operações alcançadas, a separação do imposto pode alterar o valor disponível no recebimento.  

Por isso, a empresa precisa simular o efeito sobre o capital de giro, considerando os prazos médios de recebimentos (clientes) e pagamentos (fornecedores), aproveitamento de créditos e eventuais ressarcimentos.

  • Manter a margem contábil não garante que o dinheiro estará disponível no mesmo momento. Cash is king! 
Banner do blog Jettax sobre Reforma Tributária: cronograma de transição do IBS e CBS para escritórios contábeis.

Qualidade dos dados determina a qualidade da rotina 

A adaptação dos sistemas precisa caminhar junto com a revisão de cadastros e procedimentos. Descrições genéricas, classificações incorretas e informações incompletas sobre operações podem comprometer o cálculo e a emissão dos documentos fiscais.  

Automatizar uma rotina sem corrigir sua base pode apenas multiplicar inconsistências. 

Empresas e escritórios devem combinar quem fornece cada informação, quem valida seu tratamento e quem corrige divergências.  

Também precisam acompanhar os leiautes e prazos oficiais aplicáveis aos documentos que utilizam.  

Nos testes, convém reproduzir situações reais, incluindo cancelamentos, devoluções e ajustes, para verificar a integração entre faturamento, financeiro e escrituração. 

Erros que dificultam a preparação 

  • Um erro recorrente é concentrar toda a responsabilidade no contador, embora boa parte das informações e decisões dependa de compras, comercial, financeiro e tecnologia.  
  • Outro é acreditar que uma atualização do sistema resolverá questões de cadastro, interpretação e processo que ainda não foram discutidas. 
  • Também é arriscado aplicar uma conclusão geral a toda a carteira do escritório. Clientes de atividades e perfis semelhantes podem ter exposições diferentes.  
  • Organizar a carteira por tipo de operação, regime tributário e dificuldade de adaptação ajuda a direcionar o atendimento, evitando gastar o mesmo esforço onde os riscos são muito distintos. 

Plano possível para os próximos 100 dias 

Janeiro de 2027 é logo bate à porta, porém ainda é possível se preparar. Minha recomendação é começar com um plano enxuto:  

  1. Mapear as operações relevantes; revisar os cadastros que as sustentam;  
  1. Simular os efeitos sobre margem e caixa; selecionar os contratos prioritários;  
  1. E testar o fluxo dos documentos fiscais.  

Cada atividade deve ter um responsável, uma data e um resultado verificável, como um cadastro validado ou uma simulação revisada. 

Uma reunião periódica entre empresa e escritório pode acompanhar pendências e registrar decisões. O objetivo é construir previsibilidade sem paralisar a operação.  

A contribuição do profissional contábil ganha força quando o conhecimento técnico ajuda o empresário a entender suas alternativas e escolher com antecedência.  

É essa aproximação entre tributação e gestão que pretendo desenvolver nesta coluna. 

Perguntas frequentes