Mulher jovem concentrada trabalhando em um laptop no escritório em casa, usando óculos, enquanto analisa documentos financeiros com uma calculadora e papéis sobre a mesa, com plantas e janela ao fundo.

Reforma Tributária: como decidir o regime de IBS e CBS para 2027 

17 set 2026 • 5 min de leitura
Artigo atualizado 17 set 2026

A escolha do regime de IBS e CBS para 2027 exige mais do que comparar alíquotas. Empresas do Simples Nacional precisam avaliar, entre 1º e 30 de setembro de 2026, se manterão esses tributos dentro do Simples ou optarão pelo recolhimento pelo regime regular. Para tomar essa decisão, é importante analisar perfil dos clientes, compras, geração de créditos, margem, preços e impacto financeiro da operação.

A Reforma Tributária começa a mudar não apenas a forma de calcular impostos, mas também a maneira como empresas e escritórios contábeis precisam planejar o futuro. 

E setembro de 2026 representa um marco importante nessa mudança. 

Empresas que pretendem ingressar no Simples Nacional em 2027 precisam fazer essa opção antecipadamente.  

Além disso, empresas já optantes pelo Simples precisam avaliar uma decisão que até pouco tempo não fazia parte da sua rotina:  

  • Manter IBS e CBS dentro do Simples Nacional ou recolher esses tributos pelo regime regular, fora do DAS. 

A decisão para o primeiro semestre de 2027 deve ser realizada entre 1º e 30 de setembro de 2026. 

Pode parecer apenas uma nova obrigação tributária. Não é. 

Estamos diante de uma decisão que pode afetar preço, margem, geração de créditos tributários, relacionamento com clientes, fluxo de caixa e competitividade. 

Por isso, o maior risco neste momento não é simplesmente perder um prazo. É fazer uma opção sem estudar a operação da empresa. 

O que você vai ler neste artigo:

  • O regime tributário deixou de ser apenas uma conta de imposto
  • O que muda na escolha do regime com IBS e CBS
  • Compras e créditos passam a pesar na escolha
  • 5 pontos de atenção antes da decisão
  • O que empresas e escritórios contábeis deveriam fazer agora
  • Da rotina fiscal à atuação consultiva
  • A Reforma começa antes do imposto

Regime tributário deixou de ser apenas uma conta de imposto 

Durante muito tempo, o planejamento tributário de muitas empresas foi baseado em uma pergunta relativamente simples: 

“Em qual regime eu pago menos imposto?” 

A Reforma Tributária exige uma análise mais ampla: 

  • Com a entrada da CBS e do IBS, especialmente dentro da lógica de créditos do novo sistema, será necessário entender não somente quanto a empresa paga, mas também quanto de crédito ela gera, quanto consegue aproveitar e qual o impacto dessa escolha na sua cadeia comercial. 

A regulamentação permitiu que empresas optantes pelo Simples Nacional possam permanecer no regime e escolher entre duas formas de tratamento da CBS e do IBS. 

Na primeira, CBS e IBS permanecem dentro da sistemática do Simples Nacional. 

Na segunda, a empresa continua enquadrada no Simples para os demais tributos, mas recolhe IBS e CBS pelas regras do regime regular. 

Essa segunda possibilidade vem sendo chamada, no mercado, de Simples Híbrido. E é aqui que começa uma das análises mais importantes para 2027. 

O que muda na escolha do regime com IBS e CBS 

Imagine duas empresas com o mesmo faturamento. Uma vende praticamente tudo para o consumidor final. A outra vende para indústrias, distribuidores ou grandes empresas. 

Embora apresentem faturamento semelhante, é perfeitamente possível que a melhor estratégia tributária seja diferente. Por quê? 

Porque a empresa compradora também passará a analisar os créditos gerados pelas suas aquisições. Na relação entre empresas, o crédito tributário passa a fazer parte da negociação comercial. 

Isso significa que, em determinados setores, deixar de gerar um crédito mais amplo para o cliente poderá influenciar a decisão de compra. 

O empresário poderá descobrir que seu concorrente não necessariamente vende mais barato na nota fiscal, mas se torna mais barato depois dos créditos tributários. 

Por isso, uma das perguntas que considero fundamentais neste momento é: quem compra da minha empresa? 

Se a resposta for predominantemente consumidor final, teremos um tipo de análise. Se forem outras empresas, especialmente empresas inseridas em cadeias de crédito, teremos outra. 

Esse detalhe poderá mudar completamente o resultado da simulação. 

Compras e créditos passam a pesar na escolha 

O outro lado da análise é igualmente importante. Não basta observar para quem a empresa vende. 

Precisamos entender de quem ela compra e quais despesas poderão gerar créditos. 

Uma empresa com alto volume de aquisições potencialmente creditáveis poderá apresentar uma dinâmica muito diferente daquele cujo maior custo seja folha de pagamento, por exemplo. 

É justamente por isso que uma simulação baseada apenas no faturamento pode produzir uma conclusão equivocada. 

Antes da escolha, o contador precisará conhecer melhor a operação do cliente. E o empresário precisará conhecer melhor seus próprios números. Faturamento sozinho já não é suficiente. 

5 pontos de atenção antes da decisão 

  • O primeiro erro é deixar a escolha para os últimos dias de setembro. 
  • Planejamento tributário exige levantamento de dados, projeções e simulações. Não deveria ser tratado como mais uma obrigação operacional. 
  • O segundo erro é comparar somente alíquotas. Uma alíquota aparentemente menor não significa, necessariamente, melhor resultado financeiro. Precisamos analisar carga efetiva, créditos, custos, margem e impacto comercial. 
  • O terceiro erro é desconsiderar o perfil dos clientes.Uma empresa predominantemente B2B pode precisar analisar o impacto dos créditos transferidos aos clientes de forma muito mais profunda do que uma empresa voltada ao consumidor final. 
  • O quarto erro é não analisar as compras. Sem mapear fornecedores, insumos, serviços, despesas e possibilidades de crédito, qualquer estudo ficará incompleto. 
  • E há um quinto erro que considero especialmente perigoso: tratar a Reforma Tributária somente como responsabilidade do departamento fiscal. Ela não é. Estamos falando de uma mudança que envolve fiscal, contabilidade, financeiro, compras, comercial, tecnologia e gestão. 

O que empresas e escritórios contábeis deveriam fazer agora 

Minha recomendação prática é transformar setembro em um período formal de planejamento tributário para 2027. 

Cada empresa deveria ter uma análise contendo pelo menos: 

1. Projeção de faturamento para 2027 

Não utilize somente o histórico. Considere contratos, expansão, novos clientes e expectativa de crescimento. 

2. Perfil dos clientes 

Quanto das vendas é realizado para consumidor final e quanto é realizado para outras empresas? 

3. Mapeamento de compras e despesas 

Identifique os principais fornecedores e quais operações podem influenciar a geração de créditos. 

4. Simulação tributária 

Compare os cenários possíveis, considerando não apenas o valor da guia, mas o impacto financeiro completo. 

5. Análise da margem 

Uma empresa pode faturar muito e ainda possuir margem reduzida. Planejamento tributário precisa conversar com a DRE. 

6. Impacto no preço de venda 

A mudança tributária poderá exigir revisão da formação de preços e até renegociação de contratos. 

7. Impacto para os principais clientes 

Principalmente nas operações B2B, vale simular como o tratamento tributário escolhido influencia o custo efetivo do cliente. 

Da rotina fiscal à atuação consultiva 

Existe ainda outro ponto importante. A Reforma Tributária está mudando a própria atuação dos escritórios contábeis. 

O profissional que apenas recebe documentos, calcula tributos e entrega obrigações continuará sendo necessário. 

Mas será insuficiente. O empresário precisará cada vez mais de alguém que consiga transformar legislação em decisão. 

Isso exige conhecer o cliente, analisar indicadores, projetar cenários e participar das discussões sobre preço, margem e estratégia. 

É a transição da contabilidade operacional para uma contabilidade verdadeiramente consultiva.  

E talvez setembro de 2026 seja um dos primeiros grandes testes dessa mudança. 

A Reforma começa antes do imposto 

A regulamentação prevê que a opção realizada agora para o regime regular de CBS e IBS terá efeitos no primeiro semestre de 2027.  

Para quem não fizer essa escolha neste momento, existe uma nova janela em março de 2027 para eventual opção referente ao segundo semestre. Mas isso não diminui a importância da decisão atual. 

Ao contrário. Mostra que o planejamento tributário passará a acontecer de maneira muito mais dinâmica. 

Empresas e escritórios contábeis precisarão incorporar novas rotinas de acompanhamento e revisão tributária ao longo do ano. 

A principal recomendação, portanto, é simples: não transforme uma decisão estratégica em um clique de última hora. 

  • Reúna os números. 
  • Analise clientes. 
  • Mapeie fornecedores. 
  • Projete o faturamento. 
  • Calcule os créditos. 
  • Simule os regimes. 
  • Avalie a margem. 
  • E somente depois escolha. 

A Reforma Tributária pode aumentar riscos para empresas despreparadas, mas também pode criar oportunidades para aquelas que utilizarem os próximos meses para organizar processos, melhorar seus controles e tomar decisões baseadas em dados. 

Em 2027, o melhor regime tributário não será necessariamente aquele que apresentar a menor alíquota. Será aquele que produzir o melhor resultado para a empresa dentro da sua realidade operacional, financeira e comercial. E essa decisão começa agora. 

Banner do blog Jettax sobre Reforma Tributária: cronograma de transição do IBS e CBS para escritórios contábeis.

Perguntas frequentes