Contadora no computador enquanto elabora documento de demonstração do fluxo de caixa

Demonstração do fluxo de caixa: guia completo para contadores

18 ago 2025 3 min de leitura
Artigo atualizado 09 fev 2026

Com certeza você já ouviu falar na Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC). Esse relatório é uma das ferramentas mais importantes para entender a saúde financeira das empresas e vai muito além de listar o que entrou ou saiu do caixa.

Neste guia completo, você vai entender o que é e como funciona a demonstração do fluxo de caixa, seus principais tipos, se ela é obrigatória e como tornar a sua elaboração mais prática e precisa. Confira a seguir!

O que é a demonstração do fluxo de caixa?

A demonstração do fluxo de caixa é um relatório contábil que detalha todas as movimentações financeiras (entradas e saídas) de uma empresa durante um determinado período. Seu principal objetivo é mostrar a capacidade da empresa de gerar recursos e honrar seus compromissos financeiros.

O Demonstrativo de Fluxo de Caixa (DFC) é dividido em três partes principais:

  • Atividades operacionais: entradas e saídas ligadas ao dia a dia do negócio, como vendas, pagamentos a fornecedores e despesas operacionais.
  • Atividades de investimento: compras e vendas de ativos fixos, como máquinas, imóveis e investimentos financeiros.
  • Atividades de financiamento: valores pagos ou recursos obtidos em relação a empréstimos, financiamentos ou capital próprio.

Para que serve a demonstração do fluxo de caixa?

A demonstração do fluxo de caixa serve para você ter uma visão mais detalhada da liquidez da empresa, ou seja, da capacidade dela de pagar suas contas e de investir no futuro. Com esse relatório você consegue:

  • avaliar a capacidade de autossuficiência da empresa;
  • planejar investimentos e expansão com base em caixa real;
  • evitar problemas de liquidez mesmo com lucro contábil;
  • detectar inconsistências e fraudes financeiras;
  • e dar mais segurança a investidores, sócios e instituições financeiras.

Qual a diferença entre DFC e DRE?

Diferente do DRE (Demonstrativo do Resultado do Exercício), que mostra lucros e despesas contabilizadas, o Demonstrativo do Fluxo de Caixa (DFC) foca apenas no que entrou e saiu do caixa, ou seja, o dinheiro que de fato está disponível.

Veja também: Modelo de demonstrações contábeis

Como interpretar a DFC?

A análise básica consiste em verificar se o fluxo de caixa está positivo ou negativo no período. Um resultado positivo indica que a empresa tem mais dinheiro entrando do que saindo, o que geralmente é um bom sinal de saúde financeira.

Outra dica é observar cada uma das três atividades separadamente para entender de onde vêm os recursos e para onde estão indo. 

Por exemplo, um fluxo operacional negativo pode indicar problemas na geração de receita, enquanto um fluxo de investimentos positivo pode significar que a empresa está vendendo ativos para conseguir caixa.

O DFC é obrigatório?

Nem todas as empresas são obrigadas a elaborar o demonstrativo do fluxo de caixa. Pela Lei nº 11.638/2007, apenas as companhias de capital aberto ou com patrimônio líquido superior a R$ 2 milhões devem apresentar a DFC.

No entanto, mesmo que a empresa não esteja dentro desses critérios, fazer essa demonstração é uma boa prática contábil. Afinal, ela ajuda na gestão financeira, na prevenção de erros contábeis e até ajuda a identificar possíveis fraudes.

Como fazer o DFC?

Existem dois métodos principais para construir o DFC: o método direto e o método indireto. Os dois métodos são aceitos, e a escolha depende da disponibilidade e da organização dos dados da empresa. Vamos entender como cada método funciona?

Método DiretoMétodo Indireto
O método direto lista todas as entradas e saídas de caixa em valores brutos, como recebimentos de clientes e pagamentos a fornecedores. É mais transparente, porém exige registros detalhados.O método indireto começa pelo lucro líquido da empresa considerando variações nas contas patrimoniais, como estoques e contas a pagar. Portanto, também usa dados do balanço e da DRE.

Exemplo de DFC método direto

INGRESSOS DE RECURSOSVALOR
Recebimento de clientes150.000.000,00
( – ) Pagamento a fornecedores-120.000.000,00
( – ) Despesas operacionais-15.000.000,00
( – ) IR e CSLL-3.000.000,00
Ingressos financeiros (juros, empréstimos)2.500.000,00
Ingresso de novos empréstimos5.000.000,00
Destinação de recursos
Compra de bens do imobilizado10.000.000,00
Aplicação em investimentos3.000.000,00
Pagamento de empréstimos bancários4.000.000,00
Pagamento de dividendos7.000.000,00
Total das destinações financeiras24.000.000,00
Variação líquida de caixa1.500.000,00
Caixa inicial (X0)12.000.000,00
Caixa final (X1)13.500.000,00

Exemplo de DFC método indireto

ORIGENSVALOR
Lucro líquido do exercício3.500.000,00
(+) Depreciação e amortização800.000,00
(-) Ganho na venda de ativos-200.000,00
(-) Redução em fornecedores-400.000,00
(-) Redução em contas a pagar-300.000,00
(+) Aumento em IR e CSLL0,00
(-) Aumento em contas a receber-500.000,00
(+) Redução em estoques600.000,00
(+) Redução em despesas do exercício seguinte100.000,00
(-) Aumento em investimentos-700.000,00
Caixa gerado pelas operações3.900.000,00
Venda de imobilizado250.000,00
Novos empréstimos1.000.000,00
Integralização de capital0,00
Total dos ingressos disponíveis5.150.000,00

Agora que você já sabe como elaborar o DFC, é bom lembrar que ter dados confiáveis e sempre atualizados é fundamental para fazer com precisão a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC).

A automação de notas fiscais eletrônicas torna tudo isso muito mais simples, porque garante que as informações que alimentam seu sistema contábil estejam sempre corretas e completas.

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