Pessoa utilizando uma calculadora enquanto registra anotações em um caderno, com diversos comprovantes fiscais espalhados sobre a mesa ao lado de um notebook.

Captura de NFS-e sem certificado digital: é possível? Como funciona na prática 

16 jun 2026 5 min de leitura
Artigo atualizado 16 jun 2026

Se você trabalha com gestão fiscal ou é responsável pelo departamento contábil de uma empresa, já deve ter se deparado com uma dúvida bastante comum: é possível capturar Notas Fiscais de Serviço Eletrônicas (NFS-e) sem usar certificado digital?  

A resposta curta é: sim, em muitos casos é possível. Mas o tema tem detalhes importantes que precisam ser compreendidos para evitar erros na rotina fiscal. 

Como funciona a captura sem certificado digital, quais são os métodos disponíveis e o que muda com o Portal Nacional da NFS-e? Continue conosco para saber mais. 

O que é NFS-e e por que a captura importa 

Nota Fiscal de Serviço Eletrônica (NFS-e) é um documento fiscal digital emitido por prestadores de serviços no Brasil.  

Ela registra a prestação de serviços tributáveis pelo ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), um tributo de competência municipal, regulamentado pela Lei Complementar nº 116, de 2003. 

Diferente da NF-e (nota fiscal de produto), a NFS-e é emitida e gerenciada pelos municípios. Cada prefeitura tem seu próprio sistema, suas regras e seus portais.  

Isso sempre gerou um grande desafio para empresas que tomam serviços de fornecedores em diferentes cidades: como reunir todas essas notas de forma organizada? 

É aí que entra o processo de captura. Capturar uma NFS-e significa buscar automaticamente as notas emitidas contra o CNPJ de uma empresa nos portais das prefeituras, sem que alguém precise acessar manualmente cada sistema municipal. 

O que é o certificado digital e para que ele serve 

certificado digital é a identidade eletrônica de uma pessoa ou empresa no ambiente digital. Ele garante autoria, autenticidade e validade jurídica em transações e documentos eletrônicos. 

No contexto fiscal, os tipos mais usados são o A1 (arquivo instalado no computador, com validade de 1 ano) e o A3 (token físico ou cartão inteligente, com validade de até 3 anos).  

Ambos devem ser emitidos por uma Autoridade Certificadora credenciada pela ICP-Brasil. 

No modelo tradicional de captura de NFS-e, o certificado digital era quase sempre necessário para que o sistema se autenticasse nos webservices das prefeituras e buscasse as notas de forma automática. Mas esse cenário vem mudando. 

Importante: 

Para NF-e de produtos, o certificado digital continua sendo obrigatório e não há exceção. A possibilidade de dispensar o certificado existe apenas para a NFS-e, e depende das regras de cada município ou do Portal Nacional. 

Captura de NFS-e sem certificado digital: métodos disponíveis 

Existem basicamente três formas de capturar NFS-e sem certificado digital. Cada uma tem suas características e indicações: 

1. Login e senha no portal da prefeitura (RPA) 

A sigla RPA, neste contexto, significa Robotic Process Automation — automação robótica de processos.  

Na prática, é uma tecnologia que simula o acesso humano a um portal web: o sistema entra no site da prefeitura usando o login e a senha da empresa (ou do contador), localiza as notas e as captura automaticamente. 

Esse método funciona bem para municípios que não disponibilizam webservice (integração direta entre sistemas) ou que não exigem certificado digital para acesso ao portal.  

A grande vantagem é que dispensa o certificado; a desvantagem é que o RPA depende da estrutura de cada portal municipal, que pode mudar sem aviso. 

2. Portal Nacional da NFS-e com usuário e senha 

Com o avanço do projeto de padronização nacional da NFS-e, conduzido pela Receita Federal em parceria com municípios, surgiu o Emissor Nacional (um sistema público e gratuito disponível em nfse.gov.br).  

Nele, o prestador de serviços pode emitir notas usando três formas de acesso: 

  • Certificado digital A1 ou A3. 
  • Usuário e senha criados diretamente no portal. 
  • Conta Gov.br (nível prata ou ouro). 

Isso significa que, para os municípios que já aderiram ao Portal Nacional, é possível emitir e capturar NFS-e sem nenhum certificado, usando apenas login e senha ou a conta Gov.br.  

Segundo o próprio guia do Emissor Público Nacional da NFS-e, disponível no portal gov.br/nfse, as três modalidades de acesso estão previstas e regulamentadas. 

3. Webservice com login e senha 

Alguns municípios disponibilizam webservices (integração direta entre sistemas) que aceitam autenticação por usuário e senha, sem exigir certificado digital.  

Nesse caso, o sistema contábil ou fiscal da empresa se conecta diretamente à API da prefeitura e busca as notas de forma automática. 

Esse modelo é mais estável que o RPA, pois é uma integração oficial. Mas a disponibilidade depende de cada município. 

O que muda com o Portal Nacional da NFS-e 

Portal Nacional da NFS-e é um dos maiores avanços da administração fiscal municipal dos últimos anos.  

Ele foi regulamentado pela Resolução CGNFS-e nº 3, de 2023, e tem como objetivo unificar a emissão e o armazenamento de notas fiscais de serviço em todo o Brasil. 

Com ele, as empresas deixam de precisar acessar dezenas de portais municipais diferentes. As notas ficam centralizadas em um único ambiente nacional — o Ambiente de Dados Nacional (ADN) — gerenciado pela Receita Federal. 

A obrigatoriedade de emissão pelo Portal Nacional começou com os MEIs (Microempreendedores Individuais) em setembro de 2023, conforme a Resolução CGSN nº 169/2022.  

Para as demais empresas, a adesão plena está prevista para 2026, conforme estabelecido no artigo 62 da Lei Complementar nº 214/2025. 

 Situação atual (2025–2026): 

Muitos municípios ainda utilizam seus próprios sistemas. A captura pelo Portal Nacional é possível apenas para notas dos municípios que estão conveniados e ativos na plataforma. A lista de municípios aderentes pode ser consultada diretamente em gov.br/nfse. 

Como funciona na prática o fluxo de captura sem certificado 

Veja como o processo funciona, passo a passo, em uma solução que utiliza login e senha para capturar NFS-e: 

  • A empresa (ou escritório contábil) fornece ao sistema as credenciais de acesso ao portal da prefeitura ou ao Portal Nacional. 
  • O sistema acessa automaticamente o portal usando essas credenciais — sem intervenção humana. 
  • As notas são buscadas, baixadas em formato XML e/ou PDF e organizadas por competência, CNPJ do fornecedor e outros critérios. 
  • O sistema pode ainda gerar guias de ISS e IRRF automaticamente, identificar retenções e fazer a escrituração fiscal. 

Esse fluxo elimina a necessidade de acessar manualmente cada portal, reduz erros de digitação e poupa horas de trabalho das equipes fiscais. 

Quando o certificado digital ainda é necessário 

Apesar de o cenário estar evoluindo, há situações em que o certificado digital continua sendo exigido: 

  • Para empresas do Lucro Real ou Lucro Presumido em municípios que exigem certificado para autenticação no webservice. 
  • Para integração via API no padrão ICP-Brasil, onde o certificado garante a autenticação entre sistemas. 
  • Para emissão de NF-e (nota de produto) — sem exceção. 
  • Em municípios que ainda não aderiram ao Portal Nacional e cujo sistema próprio exige certificado. 

Portanto, a orientação é sempre verificar as regras do município onde o serviço é tributado e o regime tributário da empresa antes de definir a melhor estratégia de captura. 

Dicas para quem quer otimizar a captura de NFS-e 

  • Mapeie os municípios dos seus principais fornecedores de serviços e verifique se eles já estão no Portal Nacional. 
  • Prefira sistemas que ofereçam múltiplas formas de autenticação (certificado e login/senha), para garantir cobertura nos municípios que exigem cada modalidade. 
  • Mantenha as credenciais de acesso atualizadas — portais municipais costumam forçar troca de senha periodicamente. 
  • Considere uma solução que faça a captura de NFS-e em mais de 2.000 municípios, para não ter lacunas no seu processo fiscal. 
  • Fique atento ao cronograma da reforma tributária: a partir de 2026, haverá mudanças significativas no layout da NFS-e para contemplar o IBS e a CBS, conforme previsto na LC 214/2025. 

Capturar NFS-e sem certificado digital é possível e, em muitos casos, a solução mais prática para o contador que precisa lidar com notas de municípios diferentes.  

O  importante é contar com uma solução tecnológica, que acompanhe essa evolução e garanta conformidade fiscal em qualquer cenário. 

A Jettax vai além da automação: ela transforma rotinas fiscais complexas em processos organizados, inteligentes e orientados a resultado.   

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FAQ — Captura de NFS-e sem certificado digital 

1. É possível capturar NFS-e sem certificado digital? 

Sim. Em muitos municípios, a captura de NFS-e pode ser realizada sem certificado digital, utilizando integração via API, login municipal ou consulta automatizada conforme as regras da prefeitura. 

2. A captura sem certificado digital é segura? 

Sim, desde que a plataforma utilize autenticação segura, criptografia de dados e integração autorizada com os portais municipais. O nível de acesso depende das exigências de cada prefeitura. 

3. Todas as prefeituras permitem captura de NFS-e sem certificado? 

Não. O modelo varia conforme o município. Algumas prefeituras exigem certificado digital A1 ou A3, enquanto outras permitem integração apenas com usuário e senha ou token de acesso. 

4. Qual a vantagem de automatizar a captura de NFS-e? 

A automação reduz tarefas manuais, evita perda de notas fiscais, diminui erros operacionais e centraliza documentos em um único ambiente, aumentando a produtividade do escritório contábil. 

5. A captura automática de NFS-e ajuda a reduzir retrabalho fiscal? 

Sim. Quando as notas são capturadas automaticamente e integradas ao sistema fiscal, o escritório reduz digitação manual, inconsistências de dados e retrabalho em apuração e conferência.