NFC-e SP: como reduzir erros do PIS e COFINS

29 jan 2026 4 min de leitura
Artigo atualizado 29 jan 2026

A Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica — NFC-eSP (Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica para São Paulo / NFC-e) é um documento fiscal digital usado no varejo para registrar vendas ao consumidor final. Ela substitui documentos impressos como cupom fiscal e modelo 2, com validade jurídica e integração com o Fisco.

Ao emitir uma NFC-e, o sistema eletrônico lê e envia dados diretamente à Secretaria da Fazenda do estado e à Receita Federal. 

Apesar de simplificar obrigações, muitos contribuintes enfrentam erros na tributação de PIS (Programa de Integração Social) e COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), que podem levar do documento ou inconsistência nos cálculos e escrituração.

E, você, contador, já teve problemas com os cálculos de PIS e COFINS e não soube como resolver? Este artigo explica de forma clara por que erros ocorrem e como reduzi-los com práticas fiscais corretas, respeitando a legislação brasileira vigente. 

O que são PIS e COFINS

O PIS é uma contribuição social que incide sobre a receita bruta das vendas e prestações de serviço, com alíquotas que variam conforme o regime tributário da empresa (cumulativo, não cumulativo ou regimes especiais). Ele financia programas sociais, como seguro-desemprego e abono salarial para trabalhadores.

A COFINS também incide sobre a receita bruta e serve para custear a seguridade social brasileira (saúde, previdência e assistência social). Assim como o PIS, sua alíquota depende do tipo de regime tributário da empresa.

Em resumo: ambos são tributos federais calculados com base no faturamento e devem ser informados corretamente nas notas fiscais eletrônicas.

Como PIS e COFINS se aplicam à NFC-e

Ao contrário da NF-e (Nota Fiscal Eletrônica modelo 55) — onde PIS e COFINS fazem parte obrigatória do XML — na NFC-e modelo 65, os campos de PIS/COFINS são opcionais no XML. Isso significa que, em muitos casos de vendas a consumidor final, os sistemas podem enviar esses valores zerados ou omitidos.

E por que isso acontece? São situações:

  • O leiaute da NFC-e foi projetado para venda direta ao consumidor, no qual muitos tributos não precisam ser detalhados na estrutura XML.
  • A legislação e os manuais técnicos permitem que os grupos de PIS/COFINS sejam omitidos ou enviados com valores zerados em operações comuns de varejo.

Para facilitar, um exemplo prático: 

Se sua loja emite uma NFC-e e o sistema de frente de caixa não preenche os campos de PIS e COFINS, isso pode ser legítimo e não significa falta de recolhimento. Apenas uma ressalva: desde que a operação seja de varejo e não haja exigência obrigatória de detalhamento por regra estadual ou acordo de regime específico.

Principais erros de PIS e COFINS na NFC-e

Rejeição por Informar Grupo ST indevido

Uma causa comum de erro ocorre quando o sistema tenta informar PIS-ST ou COFINS-ST (tributação por Substituição Tributária) na NFC-e. Isso gera rejeições automáticas (códigos de rejeição como 746 ou 749), porque o modelo 65 não aceita grupos ST para PIS/COFINS.

Como corrigir:

  • Remova os grupos PIS-ST ou COFINS-ST do XML da NFC-e se não forem aplicáveis.
  • Verifique a configuração do sistema fiscal para que não envie tributação ST em NFC-e em operações onde ela não existe.

Envio de valores zerados sem contexto tributário

Embora os campos de PIS/COFINS sejam opcionais, sistemas mal configurados podem enviar valores zerados sem explicitar a opção correta do grupo tributário, levando a inconsistências na escrituração do SPED-Contribuições ou no fechamento da EFD-Contribuições.

Como reduzir esse erro:

  • Ajuste o software emissor para informar corretamente os grupos tributários de PIS e COFINS, mesmo que com valores zerados, usando as tags apropriadas quando necessário.
  • Certifique-se de que o layout XML esteja de acordo com o manual técnico da NFC-e (não há campos obrigatórios para esses tributos no modelo 65, mas se enviados, devem seguir o padrão correto).

Erro de integração com sistemas de gestão

Muitos ERPs e sistemas de frente de caixa não tratam bem a lógica de tributação opcional da NFC-e para PIS/COFINS e acabam gerando inconsistências ou falhas ao gerar o XML.

Melhores práticas:

  • Atualize o software fiscal (ERP / PDV) para uma versão que suporte corretamente o leiaute da NFC-e e os campos de tributos opcionais.
  • Realize testes frequentes de emissão para identificar campos preenchidos incorretamente antes de enviar para autorização.

Dicas práticas para reduzir erros de PIS/COFINS na NFC-e

1. Conheça o leiaute do XML

  • A NFC-e (modelo 65) possui flexibilidade maior nos campos de PIS e COFINS.
  • O importante é garantir que, se informado, o XML esteja compatível com as regras de validação da SEFAZ.

2. Treine sua equipe fiscal/contábil

Contadores e analistas fiscais devem entender:

  • Quando PIS/COFINS devem ser detalhados.
  • Quando podem ser omitidos ou zerados legalmente.
  • Quais grupos tributários são válidos para cada tipo de operação. 

3. Valide antes de transmitir

Use ferramentas de validação do XML antes de enviar à SEFAZ, identificando erros de campos como PIS/COFINS, CSTs inválidos para modelo 65 ou estruturas incompatíveis.

4. Mantenha manuais e leiautes atualizados

Sempre consulte:

  • Manual de Especificações Técnicas da NFC-e.
  • Notas Técnicas atualizadas.
  • Atualizações tributárias da Receita Federal ou SEFAZ sobre tributos federais.

Menos riscos à sua rotina de obrigações fiscais

Reduzir erros de PIS e COFINS ao emitir NFC-eSP é essencial para evitar rejeições, inconsistências fiscais e problemas de escrituração no SPED- Contribuições. A chave está em:

  • Compreender que PIS e COFINS são tributos federais aplicados sobre receita bruta.
  • Saber que, no caso da NFC-e (modelo 65), os campos de PIS/COFINS são opcionais no XML.
  • Configurar corretamente os sistemas emissores para não enviar grupos ou valores incorretos ou indevidos.
  • Manter validações e atualizações conforme os manuais oficiais da NF-e/NFC-e. 

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